Pandemia tem infectado feirantes e risco de contágio em alimentos é iminente

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A pandemia causadora da Covid-19 tem preocupado feirantes e consumidores, em decorrência do risco de contágio da doença na alimentação. Em Itacoatiara, por exemplo, esses trabalhadores têm sido os principais infectados e transmissores do novo Coronavírus, segundo a prefeitura do município.

“Nossos agentes de saúde identificaram, entre os casos de coronavírus confirmados, um grande número de feirantes e comerciantes infectados, em Itacoatiara. São pessoas que, em seu cotidiano, convivem com aglomerações e grande circulação de gente”, disse a prefeitura de Itacoatiara.

A aglomeração em feiras também ocorre em Manaus. A REVISTA CENARIUM registrou na manhã de domingo, 26, o tumulto em uma feira na Cidade Nova 2, zona Norte de Manaus, onde pessoas transitavam sem o uso de equipamentos de proteção, mesmo diante da determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) para que a população transite pela cidade somente com o uso de máscaras.

Movimentação em feira na zona Norte (Foto: Luana Dávila/Revista Cenarium)

Infecção pode ser evitada com a higienização de alimentos

De acordo com o farmacêutico, especialista em microbiologia e professor da Universidade Federal do Amazonas, Maxwel Abegg, 47, o risco de contaminação da pandemia em alimentos é iminente, mas o vírus da Covid-19 pode ser inativado com a desinfecção, como autoridades de saúde têm alertado. No entanto, na alimentação, os produtos devem ser específicos e em certas proporções.

“O vírus Sars-Cov-2 em si é uma partícula muito frágil, na verdade. Ele é recoberto por uma camada que é basicamente gordura, proteína e açúcar. Então essa camada, qualquer substância que dissolva um pouco a gordura, ele vai perder essa camada superficial e já não vai mais conseguir causar a infecção. Ele se desestrutura”, explicou.

Abegg explica que um alimento in natura, que não passou por processo de fritura, cozimento, fervura, assamento no fogo ou chama, é um suporte inerte, ou seja, a possibilidade de transmissão da Covid-19 aumenta.

“Vamos imaginar um alface, tomate ou cebola, alimentos diversos. Inclusive, comidas que você pede, como por exemplo uma lasanha e uma pizza, se elas forem feitas, ao esfriarem o vírus cair em cima delas, e esses alimentos não forem aquecidos antes de comer, o vírus pode estar perfeitamente ativos ainda. Se a cebola não for desinfetada, evidentemente que ela pode estar com as partículas virais”, pontua.

A contaminação por meio da alimentação para o farmacêutico João Lucas Rufino, 25, e a mãe Kátia Rufino, que compram comida em feiras, supermercados e por deliverys (entrega à domicílio), é o que pode explicar os sintomas gripais que ambos afirmam que sentiram nas últimas duas semanas, com suspeita da Covid-19.

“Acreditamos que pegamos Covid-19 com os alimentos. Não estávamos saindo, estávamos pedindo comida, no delivery. Comecei a sentir vômito, diarreia. Estou há uma semana assim, mas os sintomas começaram há mais de 10 dias. A minha mãe também teve os mesmos sintomas, agora sente uma leve falta de ar e dores no corpo”, enunciou Lucas Rufino.

Eles explicam que não sabem informar que estão infectados com a pandemia, porque ainda não foram ao hospital de Itacoatiara, devido aos sintomas ainda serem leves. Mas apesar disso, segundo Lucas, ele e a mãe sempre adotaram todas as medidas preventivas contra o vírus.

“A ordem da saúde é para que a população somente vá aos hospitais se os sintomas forem mais graves, como febre muito forte, grave falta de ar. Optamos por ainda não ir, também, para evitar contagiar outras pessoas. Em casa e em qualquer lugar, buscamos sempre nos prevenir, também, como com a lavagem das mãos, dos alimentos, uso do álcool em gel”, relatou.

Fórmulas preventivas

Outros meios preventivos, além do aquecimento dos alimentos, conforme explicou Abegg, podem ser também por meio do uso de detergentes, água sanitária e álcool, misturados em certas proporções de água natural. O cuidado de ser redobrado com o uso do álcool, segundo o especialista.

“Tudo que é in natura, desde o tucumã, frutas a outros alimentos, temos que fazer, ou a lavagem com detergente ou com água sanitária. O ideal é colocar o alimento de molho com uma medida de detergente, por exemplo, e três medidas iguais de água natural. O mesmo pode ser feito com a água sanitária. Após a mistura, o alimento deve ficar de dois a 15 minutos de molho. Uma mistura que ele (Covid-19) fique inativo”, detalhou o microbiólogo.

A REVISTA CENARIUM preparou um tutorial para que você entenda melhor

Maxwell Abegg enfatiza que a população precisa levar a sério os cuidados com os alimentos in natura e adotar as medidas preventivas. Sobre o uso do álcool, o professor explicou que o produto pode ser utilizado com uma leve mistura de água para que seja usado como um borrifador.

“O ideal é ter uma mistura de 70% de álcool 90 e 30% de água, para que o álcool seja concentrado. Ele pode ser usado como um spray em todos os alimentos que for comprado no mercado. Mas é um material que precisa tomar muito cuidado, devido ao risco de incêndio”, disse.

Imunidade

Apesar de ainda não haver vacina ou remédios indicados contra o novo Coronavírus, frutas que aumentam o sistema imunológico têm tido uma grande procura por todo o mundo. O professor e biólogo Daniel Matos Júnior, 27, pontuou à REVISTA CENARIUM quais são esses alimentos e porque eles são mais eficazes.

“O que nós sabemos hoje com relação ao nosso sistema imunológico, as duas vitaminas vitais (para aumentar a imunidade) são a Vitamina C e a Vitamina D. A Vitamina C encontramos em frutas como acerola, laranja, frutas cítricas em geral. Temos também o açaí que faz muito bem”, disse.

O professor evidencia aumentar o sistema imunológico não evita a contaminação por Covid-19, mas muitas pessoas têm procurado todos os meios para garantir uma saúde melhor. Para quem apresenta sintomas gripais, Júnior afirma que o uso de frutas também é indicado.

“Para quem tem sintomas de gripe, tratamos com os sintomas. Podemos tomar chá de limão e alho, mas lembrando que ele não vai tratar o Coronavírus, ele vai tratar o nosso sistema imunológico, o nosso corpo. Ele vai fortalecer, fazer o trabalho que ele normalmente faz. E a Vitamina D, fazemos pegando sol por, pelo menos, 15 minutos ao dia”, finalizou.

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