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25 de janeiro de 2022
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Aliados do candidato à Prefeitura de Coari (a 363 quilômetros de Manaus), Keitton Pinheiro (Progressistas), usaram de uma suspeita de assalto contra um homem, identificado como o representante do movimento LGBTQIA+, Marcos Peres, para “promoção eleitoral” do candidato. A vítima foi baleada por um grupo que chegou anunciando o assalto durante um comício de Pinheiro que ocorria na cidade na noite dessa quarta-feira, 24. Keitton, então, aproveitou o momento para se promover e alavancar nas pesquisas para conseguir o cargo, segundo próprios aliados.

Uma publicação da página Movimento Coari, nas redes sociais, aponta que Keitton Pinheiro teria aproveitado a situação do jovem baleado a seu favor. “Pessoal, usar uma ocorrência policial que deve ser investigada pelas autoridades para tentar colocar a culpa no adversário político foi a coisa mais baixa que eu vi nessa campanha. É desespero ou mau-caratismo?”, diz uma das publicações.

Em um vídeo, uma das testemunhas cita que o caso se trata de uma suspeita de assalto. “Foi um assalto. O Marcos Perez estava com o celular nas mãos, tanto que foi com uma arma caseira. Os suspeitos ainda foram em direção a outras pessoas, mas como o Marcos estava com o celular e tentou reagir, acabou baleado”, disse uma das testemunhas que preferiu não se identificar por meio de um vídeo nas redes sociais.

Leia mais: Ação de Keitton Pinheiro impede entrega de benefícios do Governo do AM em Coari; população se revolta

Outra testemunha, que também preferiu não se identificar, destacou que o crime pode ter sido motivado após Marcos ter reagido ao assalto. “Ele estava na nossa frente quando o suspeito anunciou o assalto e tomou o celular da mão de Marcos, até que ele correu e o suspeito atirou”, conta a testemunha.

Movimento LGBTQIA+ se pronuncia

De acordo com o professor e ativista do movimento LGBTQIA+, Gabriel Mota, a vítima se arriscou ao disponibilizar o nome e sua identidade LGBTI+ para uma campanha como a de Coari. “A gente ouve muito que o clima político lá é tenso. A atitude dele foi corajosa e ao mesmo tempo perigosa”, disse à CENARIUM.

Gabriel Mota é ativista e professor em Manaus. (Divulgação)

“No interior existe muito LGBTFobia, então é preciso averiguar se o assalto foi de fato direcionado ao Marcos e se realmente foi direcionado a ele, se o intuito foi causar medo, não só a campanha, mas a todas as pessoas LGBT que estivessem dispostas a seguir o Marcos nesse apoio”, continuou Mota.

Gabriel destacou ainda que é complicado na questão política, é que ele desconhece qualquer trabalho em Coari e até mesmo no Amazonas, já que a família Pinheiro tem representante na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e já tem bastante tempo na prefeitura de Coari, voltada a comunidade LGBTQIA+.

Na cidade, o acontecimento é tratado como suspeita de assalto. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e a polícia foram acionados logo após todo o ocorrido. E após o caso, apoiadores informaram que Keitton chegou a aumentar a diferença nas intenções de votos para o segundo colocado.

Marcos Peres foi levado para o Hospital Regional de Coari, passou por uma cirurgia, e, segundo boletim médico, o rapaz passa bem, está em observação e não corre risco de morte. Até a publicação desta matéria, ainda não se tinha uma comprovação de quem teria cometido o crime, que é investigado pela Polícia Civil.

Entrega de benefícios

No último sábado, 20, centenas de moradores do município precisaram retornar para as casas de “mãos vazias”. A população aguardava por horas para receber benefícios disponibilizados por programas do Governo do Amazonas, e após um processo ajuizado pelo candidato à prefeitura da cidade, Keitton Pinheiro, contra as ações sociais, a população foi impedida de receber os benefícios.

Parte da população foi às ruas protestar contra a proibição do recebimento dos benefícios. (Divulgação)

Um dos principais aliados dos ex-prefeitos Adail Pinheiro e Adail Filho, Keitton buscou a Justiça Eleitoral para impedir o trabalho realizado pelo governo do Estado. Segundo o candidato, ele se sente eleitoralmente prejudicado com a distribuição dos benefícios. As eleições suplementares na cidade estão previstas para acontecer no próximo dia 5 de dezembro.

‘Promoção eleitoral’

O caso relembra a “promoção eleitoral” que teve o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a partir do dia 6 de setembro de 2018, quando o então candidato à Presidência da República foi esfaqueado durante um evento de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais. O autor do crime foi Adélio Bispo de Oliveira, que foi preso. Já Bolsonaro passou por cirurgia e teve que usar uma bolsa de colostomia.

Segundo o site InfoMoney, Bolsonaro não era o candidato preferido do mercado, que simpatizava mais por Geraldo Alckmin, do PSDB. Mas Alckmin estava perdendo espaço nas pesquisas e Bolsonaro aparecia como uma opção para evitar o ingresso da esquerda no poder.

“O fato de ele não ter participado dos debates por causa do atentado e ter deixado Paulo Guedes falar no lugar dele, isso o ajudou a ganhar as eleições”, afirmou a analista e economista Louise Barsi. “Nós aproveitamos para acelerar um trade de compra das ações da Taurus Armas”, completou.