26 de novembro de 2020

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Adriano Augusto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em menos de dois anos, pelo menos 13 motoristas por aplicativos foram assassinados em Manaus, de acordo com o coordenador do Comando ADM, Tiago Rodrigues. O dado foi divulgado nesta terça-feira, 27, durante uma manifestação realizada na Alameda do Samba, bairro Alvorada, Zona Oeste de Manaus, que movimentou cerca de 200 motoristas, que saíram em carreata até a sede do Ministério Público Estadual (MPE).

O protesto foi realizado após a morte do motorista Jocenildo Hipólito de Souza, ocorrido no final de tarde da segunda-feira, 26, ao encerrar uma corrida no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste da capital.

“Nós vamos ter que ficar assistindo mais quantos pais de família sendo mortos? Você imagina que já passamos dificuldades dentro de nossas casas, vindo para rua trabalhar, imagina agora, como vai ficar essa família sem ter o seu sustento porque o pai foi assassinado? Alguém precisa fazer alguma coisa e cobrar providências da Secretaria de Segurança, por isso viemos ao ministério público”, disse Tiago.

Tiago declarou que os aplicativos não prestam nenhum tipo de assistência aos motoristas que são vítimas de todo tipo de violência. “Hoje em Manaus nós fazemos mais de 300 mil corridas por dia, se fosse tirado R$ 1 de cada corrida dessas para prestar assistência aos motoristas ou investir em segurança, ajudaria muita gente. São mais de sete lideranças em Manaus. São muitos pais de família trabalhando como motorista para não morrer de fome e infelizmente, muitos estão perdendo a vida por conta da insegurança”, explicou.

Entenda o caso

O motorista por aplicativo Jocenildo Hipólito de Souza foi assassinado após encerrar uma corrida e ser assaltado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, nessa segunda-feira, 26. “Ele estava encerrando uma corrida e, quando parou o carro, foi abordado por dois homens que anunciaram o assalto. Ele saiu do carro assustado e tentou correr para dentro da casa da passageira, quando um dos assaltantes atirou pelas costas. Ele caiu e morreu no local”, explicou um cunhado da vítima identificado como Ocimar.

Após a ação, os assaltantes levaram o veículo Gol de placa OAO-2647, que foi abandonado horas depois no bairro Cidade Nova, Zona Norte. Jocenildo, que trabalhava há pelo menos três anos como motorista por aplicativo, era casado e tinha quatro filhos.

Segundo familiares e amigos, Jocenildo já tinha sido assaltado outras vezes, mas nunca deixou de trabalhar para sustentar a família. O corpo dele foi velado em uma igreja localizada na Avenida Mirra, Jorge Teixeira e levado ao Cemitério Nossa Senhora Aparecida, bairro Tarumã, na Zona Oeste.

Ministério Público Estadual

Uma comissão formada por lideranças de grupos de motoristas por aplicativos foi recebida no Ministério Público Estadual (MPE) e durante a reunião.

De acordo com o subprocurador geral para assuntos jurídicos do MPE, Nicolau Libório, É preocupante essa situação e o MPE não pode ficar alheio à essa situação que preocupa toda a sociedade. Nos reunimos com a categoria e marcamos para esta quinta-feira, 29, uma reunião com outros órgãos e o que for possível, vamos buscar conseguir uma solução imediata”, disse.

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