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26 de janeiro de 2022
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Náferson Cruz – Da Revista Cenarium

MANAUS – Há dois anos na categoria “em perigo de extinção” da “lista vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o boto cor-de-rosa ganhou novo fôlego em sua jornada de sobrevivência nos rios amazônicos, com a moratória interministerial estendida até junho de 2021, que proíbe a pesca e comercialização do peixe-liso conhecido como piracatinga ou urubu d’água, espécie muito apreciada como alimento na Bacia Amazônica.

Até 2015, quando foi estabelecida a moratória pela Secretaria de Aquicultura e Pesca do governo federal, era costume entre os pescadores usar de forma irrestrita a gordura do boto como isca para a captura da piracatinga.

Apesar disso, cerca de 2 mil botos ainda são mortos todos os anos. Isso demonstra que o boto ainda é utilizado como isca para a captura desse peixe. Um estudo publicado em 2018, pela pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Vera da Silva, especialista em botos cor-de-rosa há mais de 30 anos, revela que a população de botos cor-de-rosa no Brasil está diminuindo pela metade a cada década.  

Em declaração a um portal de notícias, Vera da Silva diz que as leis reforçadas pela moratória são brandas e que falta mais esclarecimentos. “As leis não são fortes suficientes para obrigar os pescadores a relatar o que capturaram Precisamos de melhores informações sobre as práticas de pesca”, ressalta a pesquisadora.

Especialistas em conservação do WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza), relatam que muitos botos são pescados em rede, como captura acidental, além disso a mineração do ouro na Amazônia levou ao envenenamento da água com mercúrio e a construção de usinas hidrelétricas reduziu seu habitat, bem como, o seu grupo genético.  

Além do boto cor-de-rosa também eram vítimas o boto tucuxi e algumas espécies de jacarés.