Em Manaus, Bolsonaro nega dar golpe, após ser questionado sobre TSE em evento religioso

Durante discurso, Bolsonaro negou que tenha o objetivo de dar um golpe para permanecer no poder e disse que suas críticas não são causadas por possível medo de uma derrota nas eleições de outubro (Isac Nóbrega/PR)
Com informações do Infoglobo

MANAUS – O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado, 18, que não irá “bater em retirada” em relação aos questionamentos que as Forças Armadas têm feito ao processo eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Em discurso durante um culto evangélico, em Manaus, o presidente negou que queira dar um golpe e diz que entregaria o poder “em eleições limpas”.

— Eu não vou bater em retirada, nós vamos até o final. Veio o sr. Fachin dizer que eleições são questões para forças desarmadas. Ué, me convidou para entrar na tua casa, só vou sair daqui depois que comer um salgadinho e tomar uma tubaína — afirmou.

As Forças Armadas foram convidadas, ano passado, pelo então presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, para compor a Comissão de Transparência Eleitoral e, desde então, fizeram 12 recomendações para o Tribunal em relação às eleições. Bolsonaro, entretanto, afirma que o Tribunal ignorou as decisões.

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Um relatório produzido pelo ministro Edson Fachin, entretanto, apontou que apenas uma das sugestões foi rejeitada. Segundo Bolsonaro, após o convite feito por Barroso, no ano passado, ele participou de uma reunião com o então ministro da Defesa, Braga Netto, em que afirmou que não aceitaria que as Forças Armadas servissem de “moldura” para a fotografia das eleições de 2022.

— Apresentamos uma dúzia de sugestões que dá para resolver muita coisa. Ainda não foi perfeito, mas era o que podíamos apresentar. O que o TSE fez? Começou a ignorar as Forças Armadas, dando a entender que seria bom a gente se retirar — afirmou Bolsonaro neste sábado.

Durante discurso, Bolsonaro negou que tenha o objetivo de dar um golpe para permanecer no poder e disse que suas críticas não são causadas por possível medo de uma derrota nas eleições de outubro. O presidente afirmou, ainda, que entregaria o poder, mas fez questão de frisar a condição de “eleições limpas”.

— Entrego, sem problema nenhum. Como diz, numa eleição limpa. Como diz um ditado por aí. Na democracia é comum perder uma eleição. Mas não podemos perder a democracia numa eleição — afirmou.

Bolsonaro lembrou que, durante os protestos de 7 de Setembro de 2021, quando chegou a dizer que não cumpriria mais decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, muitos dos seus apoiadores defenderam medidas mais drásticas. De acordo com o presidente, dias após os atos, em ligação entre ele e o ministro, na presença do ex-presidente Michel Temer, os dois fizeram um acordo de pacificação que incluía a promessa de Bolsonaro de cessar seus ataques à Corte e a promessa de Moraes de arquivar os inquéritos sobre os atos antidemocráticos no Supremo.

— A carta, eu assinei, vocês viram. Eu me descapitalizei politicamente. Fui ofendido por palavras as mais variadas possíveis. Mas o que eu conversei com o Alexandre de Moraes foi uma pacificação. Eu entro com a carta, ele entrava com outras coisas. Entre elas, em poucas semanas, o arquivamento dos inquéritos de fake news e atos antidemocráticos. Ele cumpriu algo? Não — afirmou Bolsonaro.

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