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19 de janeiro de 2022
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Com informações da Assessoria

A primeira doação de órgão realizada em 2022 foi de córnea. No dia 5 de janeiro, a Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, responsável pela conscientização e sensibilização da doação de órgãos, recebeu o “sim” da família de um paciente que faleceu proveniente de um choque cardiogênico, que leva à falência múltipla dos órgãos.

A diretora do hospital, Júlia Marques, exaltou o trabalho realizado pela comissão. “Esse é um trabalho feito com muito amor, pois, sabemos o quanto é difícil abordar um familiar, em um momento de dor, para sensibilizá-lo a ajudar alguém que nem conhece. A doação de órgãos, além de uma atitude altruísta, é um gesto de amor ao próximo”, afirmou a diretora.

A família foi acolhida pela equipe da CIHDOTT, que explicou sobre a fila de pessoas que aguardam por um órgão, na lista de espera do sistema de saúde nacional, e como são realizados os procedimentos para o transplante. A família compreendeu a importância de doar e concordou com a doação.

Laurinete Brasil, responsável pela CIHDOTT dentro do HPS 28 de Agosto, falou sobre a importância desse ato. “A decisão final sobre a doação de um órgão é sempre da família do doador. É muito importante que a família tenha consciência de que ela estará ajudando outra pessoa com aquele órgão de seu ente querido. Toda pessoa que, em vida, deseja ser doador de órgãos e tecidos é importante que conscientize sua família do desejo de ser doador, para que outras pessoas possam ter a chance de continuar vivendo”, ressaltou Laurinete.

Pamella Dávila, filha do doador, disse que é difícil para um familiar tomar uma decisão dessa proporção, em meio a um momento de muita dor, mas que o sentimento de poder ajudar alguém que necessita de sua decisão para viver é um alívio, pois a gratidão pela vida do ente que partiu é ainda maior.

“Foi uma decisão tomada no meio de uma dor tão grande; mas saber que estaríamos ajudando a permitir que uma pessoa voltasse a enxergar, nos deixa aliviados. O sentimento é de gratidão a Deus, pois conviver com ele foi como ter um bilhete premiado, uma sorte, em um milhão. A sensação é de dever cumprido, pois, ele nos encheu de orgulho em vida e em morte. É o cara!”, diz Pamella.

Homenagem 

O doador se chamava Francisco César dos Santos Lima, tinha 50 anos, filho do Nordeste, que foi acolhido pelo Norte; foi filho, irmão, esposo, pai, tio, padrinho e amigo. Francisco venceu as barreiras da fome. Era um homem de pouca instrução, mas trabalhador.

Francisco foi um milagre e será eternizado através do olhar de um novo alguém (Divulgação)

Fez sozinho o seu caminho, criou cinco filhos adotivos e dois biológicos com o suor do seu rosto. Venceu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) seguido de um infarto, situação que precisou passar por uma craniotomia – procedimento onde se faz necessário a remoção do osso do crânio para que uma cirurgia seja feita no cérebro. Senhor Francisco acordou de dois comas. O vascaíno fiel e apaixonado por animais teve que reaprender funções básicas como falar e andar. Sete anos após o AVC teve a alegria de ser avô do Lorenzo e do Anthoni.

Lúcido, mesmo após um diagnóstico de estado vegetativo, Francisco foi um milagre e será eternizado através do olhar de um novo alguém, como sua última vontade.