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20 de junho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O nível do rio Negro – que banha a capital amazonense – atingiu 30 metros neste sábado, 5, e cumpriu a previsão feita pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) ainda em abril deste ano. Este também é o novo recorde histórico da cheia, acima dos 29,97 m marcados em 2012. O fenômeno ocorre próximo ao período de estabilização da cheia e da vazante, também previsto pelo CPRM, para ocorrer nas próximas semanas.

Na terça-feira, 1º, o nível do rio Negro, em Manaus, atingiu 29,98 metros, se tornando a maior cheia dos últimos 119 anos na capital amazonense. Desde então, o rio cresceu dois centímetros. Agora, os 30 metros do rio são o maior nível já atingido desde 1902, quando a cota da água começou a ser registrada.

Em abril, as análises do CPRM indicaram que a probabilidade de que o rio Negro superasse ou igualasse os 30 metros era de 56%. Na época, ainda era necessário aguardar o comportamento pluviométrico no Estado até o início deste mês.

Estabilização

Além da capital, outras 58 das 62 cidades do Amazonas também foram afetadas pela enchente. Segundo a Secretaria Executiva de Ações de Proteção e Defesa Civil, o Estado tem 455.573 pessoas acometidas e 111.096 famílias atingidas pelo desastre.

No dia 31 de maio, o CPRM noticiou o último alerta de cheia do rio Negro para Manaus. A pesquisadora do CPRM, Luna Gripp, declarou que o nível dos rios no Estado tende a se estabilizar nas bacias do Solimões e Negro e nas próximas semanas começar o período de vazante.

“A tendência para os próximos dias é uma estabilização, a gente já vem observando aí na região, principalmente na central da bacia do Negro, Solimões e Amazonas. É de estabilização e a partir das próximas semanas provavelmente os rios devem começar a baixar, é isso que a gente começa a observar”, explicou Luna.  

Cheia e lixo

A cheia do rio Negro neste ano voltou a mostrar um antigo problema que fica em maior evidência com a enchente em Manaus. Nos igarapés que cortam a cidade e rio que banha a capital, o volume de lixo saltou aos olhos, assim como o nível das águas.

O acúmulo de lixo nos cursos d’água dos cerca de 500 igarapés de pequeno volume em Manaus é explicado pelo doutor em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Carlossandro Albuquerque. Segundo o especialista, o que acontece é algo chamado de “barramento hidráulico”, quando há um represamento na água do igarapé.

Lixo acumulado no igarapé localizado no bairro Cachoeirinha, zona Sul de Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

“O rio Negro enche de volume, que é um grande curso d’água, ele retém a água dos pequenos cursos d’água. Por exemplo, esse igarapé do 40, do Prosamim, ou do São Raimundo, ele acaba represando essa água. Então a água vai ter o seu movimento agora de forma lenta, numa dinâmica lenta. Ele continua drenando só que de forma lenta, porque ele aumenta de volume na foz devido à maior quantidade de água no rio Negro e a partir daí ele diminui de velocidade”.

O pesquisador ainda explica o que causa o acúmulo de lixo. “Isso faz com que o lixo, que está represado nas margens, cai para dentro da bacia. Então aumenta o quantitativo de lixo devido ao aumento do nível do igarapé e também pelo aumento da precipitação nesta época do ano, da chuva. Então são esses fenômenos que ocorre e isso faz com que acumule o lixo”, destacou Carlossandro Albuquerque.