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29 de janeiro de 2022
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) anunciou, nesta sexta-feira, 30, que o nível do Rio Negro, em Manaus, deixou o patamar de inundação severa ao baixar para 28,96m, hoje. A capital, no entanto, continua em situação de emergência por conta do decreto nº 5.078/2021, que termina na próxima terça-feira, 3 de agosto.

Segundo o CPRM, desde quando atingiu a cota de 29m, em 30 de abril, até ontem, 29, o Rio Negro permaneceu um total de 90 dias em estágio de inundação severa, o que também é considerado um recorde. Em outros municípios do Amazonas que sofreram com a cheia, o mesmo aconteceu, de acordo com o Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia Ocidental, publicado nesta sexta-feira.

A maior cheia do Rio Negro era a de 2012, quando o nível da água chegou à marca de 29,97 m. Em 1º de junho deste ano, cumprindo a previsão do CPRM, o Rio Negro atingiu 29,98 m, até então considerado o maior nível desde 1902, quando a cota da água começou a ser registrada. Três dias depois, o rio apresentou um novo aumento e chegou aos 29,99 m.

Em 5 de junho, o rio chegou a 30 m e se manteve estável por oito dias, até subir mais três centímetros e chegar a 30,02 m em 16 de junho deste ano, alcançando a maior cota da história. Depois de atingir a marca, o rio começou o processo de vazante. Para o CPRM, apesar do fato do rio ter deixado a cota de inundação severa representa um alívio para a situação do município, o rio Negro ainda se encontra acima da chamada cota de inundação.

“A cota de inundação é estabelecida quando pelo menos um ponto do município está sofrendo inundação. Já a cota de inundação severa é caracterizada quando a inundação representa um problema significativo para o município como um todo. Para Manaus, a cota de inundação é de 27,50 m, o que indica que o rio precisa baixar ainda aproximadamente 1,50 m para que nenhum ponto de inundação seja observado na cidade”, explicou a pesquisadora Luna Gripp.

Interior

De acordo com o CPRM, o Rio Solimões, em Manacapuru, interior do Amazonas, marca, hoje, 19,77 m e ainda se encontra na cota de inundação severa. Apesar disso, o rio já apresenta processo de vazante. O município também registrou, em 2021, a maior cota observada até então.

Em Itacoatiara (a 270 quilômetros de Manaus), o nível do Rio Amazonas chegou ao maior nível já registrado para a cidade em 31 de maio deste ano, quando a cota chegou a 15,21 m. Até esta sexta-feira, o rio vem num processo de vazante e registra 14,08 m, não se encontrando mais em inundação severa. Para o município, segundo o CPRM, a cota de inundação é de 14 m, que deve ser atingida nos próximos dias, indicando o fim do processo de inundação na cidade.

Segundo pesquisadores do CPRM, em 75% dos anos da série histórica, a cota máxima ocorre no mês de junho e em 19% no mês julho. A partir daí, o Rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante até que atinja a cota mínima. De acordo com o instituto, o fim da vazante, no entanto, não apresenta um período preferencial, podendo ocorrer entre outubro e janeiro do próximo ano.