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29 de janeiro de 2022
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium*

MANAUS – O nível do rio Negro, em Manaus, atingiu 29,98 metros nesta terça-feira, 1º, se tornando a maior cheia dos últimos 100 anos na capital amazonense. Desde o domingo, 30, o rio estava estabilizado na marca da cheia de 2012, de 29,97, mas subiu um centímetro. Este é o maior nível atingido desde 1902, quando a cota da água começou a ser registrada.

O rio Negro atingir essa marca já era previsto pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Nessa segunda-feira, 31, o órgão realizou o último alerta de cheia e previu ainda que o nível do rio Negro alcance 30 metros, fique estabilizado e nas próximas semanas comece a baixar. Desde o primeiro alerta, ainda em março, foi projetada uma cheia de grande magnitude.

Água do rio Negro invade ruas do Centro de Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

A pesquisadora Luna Gripp disse que o nível dos rios no Estado tende a se estabilizar nas bacias do Solimões e Negro e nas próximas semanas começar o período de vazante. “A tendência para os próximos dias é uma estabilização, a gente já vem observando aí na região, principalmente na central da bacia do Negro, Solimões e Amazonas. É de estabilização e a partir das próximas semanas provavelmente os rios devem começar a baixar, é isso que a gente começa a observar”, explicou Luna.

Chuvas

Um dos fatores que contribuíram para a cheia recorde dos rios no Amazonas foram as fortes chuvas nas bacias dos rios que contribuem especialmente para a cheia do rio Negro em Manaus. Além disso, o fenômeno La Niña perdeu forças no último mês. É ele que resfria os oceanos e faz com que a zona de formação de nuvens seja empurrada para áreas mais ao norte da região, onde se concentra o fluxo de umidade. A previsão é que as chuvas diminuam nos próximos meses de acordo com Renato Cruz Senna, meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

Avenida Epaminondas, em Manaus, está tomada pela água do rio Negro (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

“O La Niña encerrou e o Atlântico entrou numa condição de normalidade, então o que a gente espera, que as chuvas reduzam e muito fortemente na bacia do Solimões, na bacia do Negro, elas vão entrar numa condição de normalidade e ainda chove bastante nas bacias do rio Branco em Roraima e na do Negro nos próximos meses, mas a bacia do Solimões tem um papel muito importante nesse processo de cheia do rio Negro e que a tendência é que nos próximos dias as chuvas nessa bacia serão abaixo da normalidade para esta época do ano”, destacou o meteorologista.

Interior

Além da capital, outras 58 das 62 cidades do Amazonas também foram afetadas pela enchente. Segundo a Secretaria Executiva de Ações de Proteção e Defesa Civil, o Estado tem 455.573 pessoas acometidas e 111.096 famílias atingidas pelo desastre.

*Com colaboração de Gabriel Abreu