Em Mato Grosso, 67,3% dos focos de calor se concentram na Amazônia

Agentes combatem fogo em floresta (Foto: Nicélio Silva/Prevfogo/Ibama)
Davi Vittorazzi — Da Revista Cenarium

CUIABÁ (MT) — Dados de um satélite de referência adotado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), analisados pelo Instituto Centro de Vida (ICV), mostram que Mato Grosso teve, de janeiro a abril deste ano, 4.131 focos de calor. A maior parte dessas ocorrências, 67%, foram registradas na Amazônia mato-grossense.

Nos outros dois biomas que compõe o Estado, foram registrados 1.099 focos no Cerrado (26,6%) e 251 no Pantanal (6,1%). Os mais de 4 mil focos detectados em Mato Grosso coloca esse início de ano como o com maior número de focos de calor detectados nesse período em toda a série histórica de focos de calor, desde 1999.

A quantidade de focos de calor nesses quatro primeiros meses também coloca Mato Grosso em segundo lugar no ranking dos estados com maior número de focos de calor detectados no país nesse ano, atrás apenas de Roraima, que teve até então 4.609 focos.

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Focos de calor nos três biomas de Mato Grosso (Reprodução/ICV)

Só em abril, foram 797 focos de calor em todo estado. Mesmo com o considerável volume de chuvas, que caíram sobre o estado nesse último mês, o número de focos se apresenta como acima da média histórica (617 focos) e também acima dos anos anteriores: 631, 526 e 644, em 2021, 2022 e 2023, respectivamente.

Cidades com maiores registros

Os municípios com os maiores registros foram Nova Maringá 258 (6,2%), Brasnorte 249 (6%), Cáceres 233 (5,6%), Nova Ubiratã 135 (3,3%), Nova Mutum 133 (3,2%), Gaúcha do Norte 131 (3,2%), Paranatinga 131 (3,2%), Querência 130 (3,1%), Feliz Natal 128 (3,1%) e São Félix do Araguaia 109 (2,6%). Dos 8 dos 10 municípios com maior ocorrência de focos estão localizados na Amazônia.

Em relação aos locais onde foram registrados, em categorias fundiárias, a análise do ICV aponta que 3.715 registros são em imóveis rurais privados (89,9%), 169 em área não cadastrada (4,1%), 87 em assentamentos (2,1%), 73 em terras indígenas (1,8%), 66 em unidades de conservação (1,6%) e 21 em área urbanizada (0,5%).

Somando os focos de calor em imóveis rurais privados e áreas não cadastradas, o percentual das ocorrências dos focos de calor neste ano chegam a 94%. Nesses pontos, são comuns o uso do fogo associação às práticas agropecuárias, seja para prática de “limpeza” de áreas recentemente desmatadas ou para fragilizar a vegetação nativa visando seu desmatamento.

Nessa época do ano são permitidas queimadas controladas, diante a emissão de autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT). Apesar disso, o ICV mostra que somente 7,8% dos focos ocorreram de forma autorizada.

O período proibitivo do uso do fogo foi definido pelo Estado neste ano para a Amazônia e Cerrado de 1º de julho a 30 de novembro. Enquanto no Pantanal de 1º de julho e 31 de dezembro.

Leia mais: Calendário define áreas em emergência ambiental devido a incêndios florestais
Editada por Aldizangela Brito
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