Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
19 de abril de 2021

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC
Acompanhe nossas redes sociais

Com informações da assessoria

RIO DE JANEIRO – Em meio a um debate sobre a viabilidade da operação do Censo Demográfico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) assina nesta quinta-feira, 8, com a Organização das Nações Unidas (ONU) parceria para desenvolver um sistema de monitoramento da cobertura maior da pesquisa realizada pelo instituto.

O sistema prevê o uso de registros administrativos como dados de matrículas em escolas ou cadastro de consumo de energia para estimar a população em pequenas áreas geográficas conhecidas como setores censitários para acompanhamento do trabalho dos recenseadores e avaliações sobre a cobertura da coleta dos dados dos domicílios.

O censo estava planejado para 2020, mas foi adiado após o início da pandemia. A previsão atual é iniciar a coleta dos dados em agosto, mas a verba para a pesquisa foi retirada do projeto de lei que estima o orçamento para o ano, em discussão no Congresso.

Esta semana, o IBGE suspendeu concurso para a contratação de 181,9 mil trabalhadores temporários para a pesquisa, com base no entendimento que o corte orçamentário, de R$ 2 bilhões para R$ 71 milhões, inviabiliza a operação, que prevê visitas a cerca de 70 milhões de domicílios.

Após o corte, a presidente do instituto, Susana Cordeiro Guerra, pediu demissão. O instituto aguarda o debate sobre o orçamento, mas defende a realização do censo ainda em 2021, apesar de resistência do quadro de servidores, que teme riscos à saúde de recenseadores e da população que será entrevistada.

O acordo com a ONU não prevê desembolsos e, por isso, independe do orçamento. O texto que será assinado nesta quinta prevê a transferência de tecnologia de estimativa de população com os registros administrativos e em informações geográficas, como mapas de iluminação noturna.

Normalmente, a estimativa de população de um setor censitário é feita a partir das visitas dos recenseadores, o que deve ocorrer a cada dez anos. Com as novas informações, o IBGE quer ter uma segunda avaliação, por meio de uma tecnologia que o instituto batizou de Grade Pop.

Em um primeiro momento, a ideia é usar os dados para planejar a logística dos recenseadores. Depois da coleta das entrevistas, os dados da Gradepop serão comparados ao resultado do censo para avaliar se a coleta cobriu toda a população projetada.

O IBGE avalia que o modelo ganha mais importância durante a pandemia, que aumenta os riscos de problemas na coleta – um sistema parecido foi usado no censo dos Estados Unidos, realizado em meio à pandemia em 2020 – e diz que a tecnologia pode se desdobrar em outros produtos, como a estimativa anual de população feita pelo instituto.

“O Gradepop é um produto de tecnologia de fronteira para estimar a densidade populacional em pequenas áreas. Um dos seus principais usos será não somente a garantia da qualidade da cobertura do Censo nas três fases de enumeração coleta, mas também terá desdobramentos significativos para outras áreas da produção estatística e geocientífica do IBGE”, diz Guerra.

As estimativas de população feitas pelo IBGE são usadas, por exemplo, para definir os repasses do governo federal a Estados e prefeituras. Por isso, ex-presidentes do instituto e especialistas em demografia e políticas públicas criticam o corte de verbas para o censo.

A pesquisa é alvo de polêmicas desde o início do governo Jair Bolsonaro: logo na posse de Guerra, em fevereiro de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou a redução de gastos com a pesquisa, que era orçada inicialmente em R$ 3,1 bilhões.

Após sucessivos embates com o corpo técnico da entidade e pedidos de exoneração de gestores ligados à Diretoria de Pesquisas, Guerra anunciou em junho a redução no tamanho dos questionários que serão aplicados à população, o que motivou a criação de uma campanha pela pesquisa.

Guerra, que fica no cargo até a nomeação de um novo presidente, diz que o sistema que está sendo desenvolvido com a ONU não substitui entrevistas presenciais do censo, só melhora o monitoramento da qualidade dos dados coletados nos domicílios.

Desde que assumiu, porém, ela defende maior uso de registros administrativos nas pesquisas do IBGE. Em março, o instituto fechou parceria com a Receita Federal e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para melhorar o uso de informações tributárias no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto).