Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
26 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Durante reunião virtual com governantes locais do Brasil e dos Estados Unidos (EUA), o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), citou contradições com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre as medidas restritivas de combate à pandemia da Covid-19 no qual chamou de ‘desentrosamento’.

“Para mim, o isolamento social é a principal arma para enfrentar o novo Coronavírus. E aqui, vou citar o caso do meu Estado e da minha cidade (Manaus): nós tivemos uma contradição muito grande, havia um desejo do governador e meu de nós fazermos o isolamento social, e uma pregação incessante do presidente da República contra o isolamento social, dizendo que não passava de uma gripe chinesa, algo assim’, disse o prefeito.

Arthur afirmou, na reunião, que a divergência entre Bolsonaro fez com que complicasse ainda mais à luta contra o vírus e que, também, não fez um perfeito isolamento social.

Decisão prematura

Nessa terça-feira, 26, durante pronunciamento à imprensa, o governador Wilson anunciou, oficialmente, que as atividades comerciais, em Manaus, irão voltar gradualmente a partir do dia 1º de junho. A decisão, disse o prefeito da capital amazônica, é prematura. Todavia, ao final da reunião, Arthur considerou que “espera que eu esteja errado e que a decisão do governador seja a certa.

“E agora nós temos uma contradição: o número de mortos (por Covid-19) diminui, que é uma coisa óbvia, mas o número de casos aumenta a cada dia, e o governador propõe a abertura para dia primeiro de junho e eu considero isso prematuro, porque não fizemos uma boa infraestrutura de preparação social para lograrmos esse episódio”, enfatizou.

Interior do Amazonas e perigos a populações tradicionais

Segundo Arthur, se Manaus fosse uma realidade isolada, os casos de Covid-19 estariam controlados. O prefeito pontuou a precariedade do sistema de saúde no interior do Amazonas e voltou a chamar atenção às populações tradicionais que “correm um efetivo perigo”.

“Eu temo que, não só se aprofunde a crise no interior do Estado e nos povos indígenas, como eu temo que em Manaus soframos uma segunda onda, que poderia ser muito mais grave que a primeira”, comentou.

‘Sensação que se tem é uma luta solitária’

Para o prefeito de Manaus, com a briga entre os “poderes”, a sensação é que a luta contra a pandemia está sendo solitária, sem o apoio entre as partes.

“Eu sinto que a sensação que tem é uma luta solitária”, desabafou.

A reunião, promovida pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), para debater ações de enfrentamento ao novo coronavírus e estratégias para amenizar as crises sanitária, financeira e social, reúne o prefeito de Vitória (ES), Luciano Rezende, de Manaus, Arthur Neto, de Miami, Francis X. Suárez, e o vice-prefeito de Segurança Pública de Los Angeles.