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18 de janeiro de 2022
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Iury Lima – Da Cenarium

VILHENA (RO) – Com previsão de temperaturas mínimas de 11ºC, por conta da friagem em Rondônia, que alerta para proteção de pessoas em situação de rua. De acordo com a Defesa Civil estadual, nesta sexta-feira, 30, o fenômeno vai atingir as regiões do Cone Sul e Vale do Guaporé e que segue espalhada pelos 52 municípios.

A preocupação do órgão, que informou o risco de frio intenso, é baseada na previsão do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), de que os termômetros possam registrar temperaturas ainda mais baixas das observadas desde o início da semana, atingindo mínimas de 11ºC, em um cenário bastante incomum para a região amazônica.

Só a capital Porto Velho acompanhava mais de 300 indivíduos em situação de rua, até setembro de 2020 (Reprodução/Prefeitura de Porto Velho)

Apelo

Um documento assinado pela Defesa Civil Estadual pede que as prefeituras dos 52 municípios resguardem a integridade das pessoas mais vulneráveis, orientando os gestores a “aumentar a capacidade de respostas do Sistema Único de Assistência Social no atendimento às famílias e aos indivíduos em situação de vulnerabilidade, risco social, que se encontrem em situação de rua, desabrigados, desalojados ou em situação de imigração”.

Estrato social 

Com crescimento de 1,1% estimado no ano passado pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rondônia, o terceiro maior Estado da região Norte, é habitado por 1,796 milhão de pessoas. De acordo com o último censo demográfico realizado em 2010, quase 1,2 milhão de pessoas residem em áreas urbanas e outras 413 mil habitam em zonas rurais.

No entanto, não há balanço oficial, nem mesmo do próprio governo do Estado, sobre a quantidade real da população em situação de rua. Na capital Porto Velho, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Família (Semasf), cerca de 320 pessoas moravam nas ruas até setembro de 2020.

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semasf, oferece:

  • 1 unidade de acolhimento 24 horas com capacidade para 40 pessoas;
  • 1 abrigo provisório com capacidade para 40 pessoas;
  • Serviço de abordagem;
  • 5 Centros de Referência de Assistência Social (Cras)

Solidariedade

No mês passado, quando ocorreu a última friagem, a prefeitura de Vilhena deu início a uma campanha de arrecadação e distribuição de agasalhos. O município fica localizado a 705 quilômetros de Porto Velho, justamente na região do Cone Sul.

Numa posição de quase 600 metros acima do nível do mar, o tempo na chamada ‘Cidade Clima da Amazônia’ é geralmente mais ameno em relação a todo o resto de Rondônia e, por isso, registrou as temperaturas mais baixas do ano, com termômetros variando em 7,5ºC e 8,5ºC.

A população pode realizar a doação de itens como agasalhos, cobertores, luvas, toucas, cachecóis, meias e mantas, entregando-os em seis pontos de arrecadação, para que depois a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) entre em contato com as famílias já acompanhadas pela pasta e que necessitam de ajuda:

  • Semas (Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, nº 921, Jardim Eldorado);
  • Casa da Gestante (Avenida Rosalinda Adélia Marangoni, nº 3652, Jardim América);
  • Cras e Creas (Avenida Rio Grande do Norte, nº 1868, Setor 19)
  • Creca (Rua Nélida Suedi Schuch, nº 361, Jardim América);
  • Cati (Avenida Benno Luiz Graebin, nº 748, Jardim das Oliveiras); e
  • Cam (Avenida Carmelita dos Anjos, nº 6405, Alto Alegre).

Queda brusca

À reportagem da Cenarium, o meteorologista do Censipam Marcelo Gama explicou que a friagem atual, acompanhada de uma massa de ar polar, já tomou praticamente todo o território rondoniense, sendo realmente mais expressiva em regiões localizadas mais ao sul do Estado.

Apesar de não ser comparada ao frio observado no Sul do Brasil, por exemplo, as temperaturas mínimas registradas na Amazônia são suficientes para serem consideradas incomuns, ocorrendo apenas por meio de fenômenos como este, quando uma massa de ar mais fria consegue percorrer regiões equatoriais. 

“Esta friagem deve perdurar até o dia 30 ou 31 de julho. As regiões de Rondônia mais impactadas serão o Cone Sul, Vale do Guaporé, Mamoré e Zona da Mata. Nas demais regiões, as temperaturas também deverão ficar bem amenas. No Cone Sul, as mínimas poderão ter queda de mais de 10°C, aproximadamente, chegando a registrar  temperatura mínima de até 11°C”, explicou o cientista.

Ainda de acordo com Marcelo Gama, o fenômeno não é uma exclusividade rondoniense, pois os termômetros também devem ficar mais frios por boa parte da Amazônia Legal. “Com certeza os Estados do Mato Grosso, Acre, Sul e Sudoeste do Amazonas sentirão os efeitos desta friagem”, finalizou.