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18 de novembro de 2021
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Iury Lima – Da Cenarium

VILHENA (RO) – O Projeto Emergência Amazônica, criado pelo WWF-Brasil, completa dois anos neste mês de agosto e já beneficiou mais de 70 mil pessoas diretamente e cerca de 3,7 milhões de forma indireta. A implementação de atividades em iniciativas ocorre com o intuito de coibir o avanço do desmatamento, das queimadas e promover o respeito às populações tradicionais da maior floresta tropical do mundo, além de promover sua própria autonomia para defender os locais que chamam de lar.

O projeto teve início em 2019, quando a organização identificou um dos períodos mais críticos para a Amazônia Legal, levando em consideração os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que naquela época indicavam que o ano terminaria com mais de 10 mil km² de desmatamento. Além disso, o Inpe registrou 89 mil focos de queimadas: um salto de 85% e 30%, em relação ao período anterior, em 2018. 

Hoje, a atuação do projeto está presente em 94 milhões de hectares (19% do território amazônico), espalhando-se por seis Estados que integram a Floresta.

“Realmente, é um pacote de impacto extremamente grande não só para a Amazônia, mas também para as pessoas que ali vivem. Quando a gente fala do ponto de vista das queimadas, do desmatamento, o nosso foco foi principalmente amparar aquelas comunidades e organizações que estavam na ponta, tanto combatendo o fogo quanto também os fatos geradores das queimadas: a invasão de Terras Indígenas, o desmatamento ilegal e invasão de áreas protegidas”, disse, em entrevista à CENARIUM, o diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil, Edegar de Oliveira.

O diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil em entrevista à Revista CENARIUM (Reprodução/WWF-Brasil)

Cuidado da floresta

Em dois anos, a ação possibilitou 58 cursos para cerca de 3 mil pessoas, além de doações de mais de 7,1 mil itens para o combate ao fogo e ações de proteção territorial. Pelo menos 70 povos indígenas foram beneficiados no alcance de 140 Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs).

Para isso, a rede WWF conseguiu viabilizar para seu braço no Brasil quase R$ 9 milhões em recursos visando financiar projetos de 2019 até então, priorizando dois grandes eixos: o combate às queimadas e a proteção das TIs e UCs. Ao todo, foram estabelecidas 36 parcerias, sendo 26 ligadas a organizações da sociedade civil e dez órgãos públicos.

“Foi muito difícil montar isso em meio à pandemia, num momento em que tínhamos que ter todo o cuidado para não sermos um vetor de contaminação. Esse foi um grande desafio que nós tivemos no projeto, além de todo o contexto político e a posição do governo federal nas duas agendas: queimadas e Covid-19, até porque ele trabalha com fake news e questiona quem é o causador das queimadas, alegando que a culpa é das organizações da sociedade civil, o que é uma grande mentira”, destacou Oliveira. 

Capacitação local

O WWF-Brasil entende que capacitar moradores das regiões afetadas para combater o avanço da destruição pode ser mais eficiente do que aguardar por uma intervenção direta de entidades governamentais por meio de cobranças.

Por isso, para fortalecer a luta contra o fogo, ao menos três Estados da Amazônia Legal foram beneficiados com doações de materiais de prevenção e combate, além da capacitação de brigadistas. O apoio foi direcionado para Rondônia, Acre e Amazonas, que sempre aparecem em posições elevadas em rankings de desmatamento e degradação de áreas protegidas.

  •  Rondônia: capacitação de 15 agricultores de Ponta do Abunã, distrito de Porto Velho, na divisa com o Acre;
  •  Acre: doação de 696 peças de combate ao fogo para a Secretaria de Meio Ambiente; formação de brigadas que atuam em 9 UCs e capacitação de 40 brigadistas, além de 163 peças de combate para o Corpo de Bombeiros;
  • Amazonas: doação de mais de 1.400 peças para combater as queimadas em 20 UCs (todas já possuíam brigadas). 
Parcerias firmadas por meio da organização capacitaram brigadistas dentro dos próprios territórios protegidos e viabilizaram a entrega de equipamentos de combate ao fogo. (André Dib/WWF-Brasil)

Tecnologia a serviço da vida

Já para a proteção territorial de comunidades indígenas e demais populações tradicionais, o WWF-Brasil ajudou na aquisição de drones, quadricíclos, GPS, rádios-comunicadores, computadores, além de ferramentas de combate ao fogo, insumos para expedições e outros materiais necessários para monitorar, fiscalizar e impedir possíveis invasões.

São ações que ocorreram entre o oeste do Maranhão e a região leste do Pará, alcançando seis TIs. “O projeto foi importante para instrumentalizar as organizações e comunidades que estão na base, tanto com equipamento de combate ao fogo, mas também com tecnologia e capacidade para monitorar o seu território e identificar onde há mais focos de ilegalidade e acionar o poder público”, afirmou o diretor de Conservação e Restauração da organização. 

Povos indígenas passam a monitorar seus territórios por meio da utilização de drones. (reprodução/WWF-Brasil)

“O que nós tiramos desse projeto, além da importância de poder ter ajudado neste contexto dentro da Amazônia e de poder aliviar essa condição e essa emergência nesses casos foi poder ajudar a estruturar áreas de atuação que focam justamente em trabalhar com os povos que estão nos territórios, os povos tradicionais. Assim, melhoramos a capacidade deles de cuidar de seus lares, dando voz a essas pessoas e ajudando-as a se expressar sobre a forma como elas enxergam o contexto da Amazônia e, em terceiro lugar, as alternativas de desenvolvimento que conciliam o saber dessas comunidades com a preservação da floresta, mas também com o desenvolvimento socioeconômico”, finalizou Edgar Oliveira.

A organização

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Além disso, a organização está ligada  a uma rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.