Empreendedoras amazonenses apostam no mercado plus size e promovem empoderamento por meio da moda

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS — Cada vez mais em evidência e ocupando espaço no mundo da moda e lojas de confecções, o mercado plus size tem sido um bom plano de negócio para aquelas que pretendem empreender e, ao mesmo tempo, ampliar opções para pessoas que vestem ‘GG’. Em Manaus, é possível encontrar diversas lojas virtuais e físicas dispostas a atender as necessidades deste público, empoderando e promovendo a autoestima por meio do vestuário.

Ana Ferreira, de 43 anos, é um exemplo de empreendedora que investiu no ramo. Focada na moda para mulheres gordas, há cinco anos, a manauara segue firme no propósito de vestir o público feminino. Após perder o emprego e perceber que a moda ainda era um tanto quanto escassa para as modelos que vestem números maiores, Ana adotou a loja não só como fonte de renda, mas como missão de vida.

“Lembro que a perda do meu emprego, que até então eu achava que era tudo para mim, aliado à dificuldade de encontrar modelos que atendessem nossas necessidades, foi um dos motivos de abrir a loja, embora já tivesse os tamanhos que eram no máximo até 48 e você não tinha muita opção. Era sorte achar e levar o que tinha”, relembra a empreendedora.

Empoderamento e opções

Com a loja intitulada @mulherão_modas_plus_manaus, Ana conta que o nome não está relacionado apenas na forma física, mas na capacidade de se enxergar de várias formas o contexto da expressão ‘mulherão’. “É sobre aquela mulher que sabe que é capaz, entende? É sobre se amar” explica Ana.

Na leitura da autônoma, o mercado atualmente já possui mais opções para o público ‘GG’, algo positivo para promoção da pluralidade local, sem abdicar das tendências de mercado presentes na loja física e virtual e se tornou o principal sustento da empresária. “Me atento sempre no que está em alta para atender nossas gordinhas maravilhosas”, diz.

Peças de roupas disponíveis na loja de Ana Ferreira (Reprodução/ Mulherão Moda Plus Size)

Cuidar do próximo

Assim como Ana Ferreira, a modelo plus size e empreendedora Karina Lasmar, de 26 anos, também apostou no universo da moda feminina voltada para as ‘GG’. Com vários concursos de beleza plus size no histórico, Karina começou a estudar possibilidades para empreender no ramo, em 2014.

Dona da @klmodaplussize, ela destaca que o diferencial da loja online é o atendimento personalizado para as clientes e preços acessíveis. Para Karina, mais que o ato de vender, a loja proporciona o acolhimento e cuidado com público, por vezes, discriminado em lojas da cidade.

Com produtos cheios de cores e modelagens, Karina destaca que as roupas são cuidadosamente escolhidas para valorizar as clientes. “Meus produtos fogem daquele vestuário tradicional, reto e sem cortes legais que antigamente faziam a mulher acima do peso usar. Hoje a mulher gosta, quer, deve e pode estar na moda do mesmo jeito de uma mulher magra. Se sentindo bem e confortável é o que importa”, explica.

A loja virtual também se tornou a principal ferramenta de sustento da casa, com dois anos consolidada no mercado, ela conta que já atendeu mais de mil mulheres. Durante este período, a empreendedora conta que já pode compartilhar momentos marcantes voltados à autoestima e empoderamento das clientes, que em alguns casos já estavam desacreditadas em poder vestir algo e se sentir bela.

“Não é só uma roupa, sabe? É um autocuidado, carinho e liberdade de poder escolher, se olhar no espelho e gostar do que vê. Certa vez me emocionei com uma moça que veio aqui e encontrou o que ela tanto queria e agradeceu em lágrimas, parece algo tão simples, mas para quem passa sabe a importância que tem”

Modelos disponíveis na loja virtual de Karina (Reprodução/ KL Moda Plus Size)

Dados do mercado

De acordo com a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), entre os anos de 2018 a 2019, o mercado de moda plus size movimentou em torno de R$ 7 bilhões no Brasil. Segundo a Abravest,  o setor apresentou crescimento de 21%, de 2018 a 2020.

Segundo a Associação Brasileira Plus Size (ABPS), criada em 2016, visando representar empresas de varejo e insumos inseridos na cadeia de produção ao público plus size, o mercado é mais consolidado no Estados Unidos, onde as marcas plus size já atuam há mais de 100 anos.

Uma matéria publicada pela Revista Vogue, em outubro de 2021, afirma haver mais de 600 lojas físicas em operação nos Estados Unidos e em expansão para outros países, e traz como exemplo a Torrid, uma gigante global e referência quando o assunto é vestuário plus size.

De 2018 a 2019, o mercado de moda plus size movimentou em torno de R$ 7 bilhões, no Brasil (Isak Tiner/The New York Times)

De acordo com a Vogue, somente em 2020, a empresa que é atenta às tendências e vai contra os padrões tradicionais faturou com vendas online mais de US$ 973 milhões. No Brasil, além dos pequenos empreendimentos e butiques, também é possível encontrar grandes lojas que oferecem opções plus size.

A Ashua Curve & Plus Size, marca própria da Lojas Renner especializada em manequins do 46 ao 54, é um desses lugares. Porém, a marca criada em 2016 ainda não abrange com lojas físicas todos os Estados do País. Atualmente, possui nove lojas próprias, em três Estados brasileiros (SP, RS e RJ), e 15 espaços em unidades da Renner em sete Estados: Alagoas, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

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