31 de outubro de 2020

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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – Apresentar ao mundo as produções tecnológicas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e os expoentes do empreendedorismo, além de desmistificar preconceitos e homenagear a capital amazonense são as propostas defendidas pela jornalista e historiadora Cristina Monte, que lançará em fevereiro de 2021 um livro sobre os “cases” de sucesso da região durante a pandemia de Covid-19.

“Sempre estive muito envolvida com tecnologia e inovação. Sou uma paulistana radicada aqui e há muitos anos, desde que vim para cá, comecei a perceber que existe uma história que não estava sendo contada, que é desta Manaus mais moderna, que já tem alguns marcos de desenvolvimento diário de empreendedores e de tecnologia. Temos muitas informações boas da imprensa, mas a gente não tem isso tudo num só lugar”, explicou inicialmente.

O tamanho do livro está programado para conter 150 páginas, com tradução em inglês somará 300 páginas. (Revista Cenarium/ Arlesson Sicsu)

De acordo com Cristina, a proposta do livro é fazer uma “fotografia” das produções tecnológicas desenvolvidas na região amazônica, especialmente em Manaus. “Ainda somos vistos com muito estigma, como se a região fosse dependente da Lei da Informática, como se ninguém fizesse nada. Para o Brasil e o resto do mundo têm essa má interpretação, que temos de superar. Muita coisa está acontecendo e a gente precisa desmistificar. Então, eu vi isso como uma oportunidade de contribuir com esse trabalho para quebrar esse paradigma. Por isso acho importante essa produção, esse é o meu presente para Manaus”, defendeu Cristina.

O tamanho do livro está programado para conter 150 páginas, com tradução em inglês somará 300 páginas. Outra preocupação relatada por Cristina está focada na leitura. “A leitura não é necessariamente uma construção contínua. Então você pode abrir o livro e ler um ‘case’ em qualquer página. Quero fazer uma bagunça na questão de ordem cronológica, porque, hoje em dia, a gente tem que aprender as coisas como elas aparecem. Você vai procurar na internet e outras formas e vai construir na sua cabeça a ideia a partir de pedaço da realidade. Não dá para fugir disso”, pondera.

Empoderamento feminino

Cristina afirma que já possui 40 entrevistas produzidas com diversos formadores de opinião, como superintendentes e presidentes de corporações, além dos empreendedores locais de pequeno, médio e grande porte. Entre os empreendedores que ousaram, em meio à pandemia, está a diretora-geral da Revista Cenarium, Paula Litaiff.

“Existe essa preocupação total em trazer a mulher, por uma série de questões culturais. Sabemos que nós sempre fomos vistas em segundo plano. Os maiores salários, os melhores cargos ainda estão concentrados nos homens. Por isso, eu tenho sempre cuidado e fico feliz por ser uma mulher fazendo um livro, isso por si é um fator bacana. Sou mulher e acho muito bacana também esse ponto de partida nas mulheres. A Paulinha também vai estar no livro, o qual aborda o feminino como uma peça muito importante na tecnologia e empreendedorismo, que ainda são muito associados com o masculino”, declarou.

Personagens

A autora diz que a curadoria de personagens se baseou nos acontecimentos de 2020, mais especificamente por conta da pandemia da Covid-19. “É um ano que marcou nossas vidas para sempre e foi transformador em vários aspectos. Então acho que o livro é bem-vindo para abordar essa transformação e quais caminhos vamos seguir. As pessoas estão contribuindo com as suas reflexões e eu vou colocar esse povo para conversar entre si. Não existe uma resposta certa, vou conciliar todas essas ideias em um ambiente que fisicamente não seria possível”.

“Toda uma comunidade que eu consegui ver que possui um certo grau de importância, que contribui de alguma forma para melhoria da cidade, estou chamando. Pode ser desde o pequeno empreendedor, como um cara que faz games, que está no livro, tanto como pode ser um grande empresário que também tem a sua contribuição. O livro vai ser um lugar onde todos têm voz”, detalhou Cristina.

Inspiração

Com os trabalhos iniciados em meio à pandemia, a jornalista afirma que o período foi encarado como uma revolução. “Eu estava na África do Sul comemorando aniversário de casamento. Acompanhei alguns noticiários, mas, quando eu cheguei aqui, dois dias depois, ninguém mais podia sair de casa. Eu caí do céu ao inferno em 48 horas, foi um choque para mim, como foi para todos, mas talvez para mim um pouco mais, porque eu estava vivendo um sonho”, explanou.

Cristina afirma que já possui 40 entrevistas produzidas com diversos formadores de opinião, como superintendentes e presidentes de corporações, além dos empreendedores (Revista Cenarium/ Arlesson Sicsu)

“Sabe de uma coisa? Vou encabeçar esse projeto que vinha desenhando. Foi superdifícil, porque você imagina, em pleno início de pandemia, fazer com que as pessoas falassem comigo. Cada uma também lidando com suas dificuldades, emoções e incertezas. Ninguém sabia como as empresas iriam sobreviver, todo mundo em pânico”, detalhou.

O livro inicialmente seria produzido com 25 a 30 entrevistas e impresso em 500 exemplares. Além de ser disponibilizado para comercialização em Market Place, para ser vendido de forma online. “Falei com dez a 15 empresas que até onde eu sei, estão todos caminhando bem. O que impactou mais foi o momento em que estava todo mundo doido e pensei ‘vou manter minha tranquilidade, vou manter a minha saúde mental’ e aproveitar que o projeto foi ganhando corpo”, finaliza.

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