Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
24 de novembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS- Em meio à devastadora e mórbida realidade que a pandemia do novo coronavírus submeteu a sociedade, vieram à tona diversos debates sobre pautas relevantes no cotidiano da população, dentre elas o mercado de trabalho que, também afetado pelo caos na saúde mundial, mostrou-se mais aberto a compreender a importância da discussão em torno do tema ‘diversidade e inclusão nas empresas‘.

De acordo com a pesquisa intitulada “Future of Inclusion”, feita pela empresa de tecnologia Intel para saber como andam as iniciativas voltadas à diversidade durante a pandemia e publicada no mês de novembro deste ano, dos 3 mil executivos consultados em 17 países, dois terços desses profissionais (63%), que possuem empreendimentos acima de 100 funcionários, defendem que a pandemia teve impacto consideravelmente positivo no que diz respeito aos avanços das políticas de diversidade, equidade e inclusão.

Para a master coach e líder em ambientes corporativos Cintia Lima, esse comportamento positivo do mercado em tempos pandêmicos se deve, em parte, a uma maior sensibilidade, desencadeada em meio a perdas e à conscientização de que existem vivências e histórias diferentes e, por isso, é necessário compreender o valor do outro, independente das características.

Dos 3 mil executivos consultados em 17 países, dois terços defendem que a pandemia teve impacto consideravelmente positivo no que diz respeito aos avanços de políticas de diversidade, equidade e inclusão. (Reprodução/ Internet)

A pandemia deixou muitas pessoas fragilizadas diante do cenário econômico não esperado e as perdas de pessoas importantes e próximas de forma que não puderam cuidar ou velar. Com todo esse cenário, lembramos que os termos “inclusão” e “diversidade” estão diretamente ligados, isto porque ambos remetem à ideia de respeito e acolhimento, que são bem importantes dentro do ambiente de trabalho, tanto quanto na vida pessoal de cada indivíduo. E, assim, iniciou uma maior conscientização de que compreender o valor do outro, independente das características, é fundamental”, explica a profissional.

Boas produções

Há mais de 20 anos atuando como especialista em gestão de pessoas e líderes em ambientes de trabalho, ela afirma que dentre os inúmeros benefícios dentro de uma organização plural e inclusiva estão, principalmente, o aumento da criatividade organizacional, elemento essencial para a contribuição das produções.

“Entenda que, ao proporcionar um espaço em que as diferenças são valorizadas, as equipes de trabalho se sentirão mais livres para exprimir a genuinidade e a autenticidade de seus integrantes. Essa é uma questão importante e, quando diversificado, o ambiente da companhia promove condições para que novos conceitos e ideias circuitem entre os colaboradores, consequentemente a empresa terá aumento na criatividade, redução de conflitos e alcance de melhores resultados”, ressalta Cintia Lima.

A pluralidade. (Reprodução/Internet)

Outros dados

Ainda sobre a pesquisa, 57% mostram que há espaços voltados para que as próprias empresas ampliem mais as iniciativas em diversidade. Mesmo com este ponto positivo, ainda há diversos obstáculos no segmento, de acordo com os dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE) quase 45 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência.

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada pelo Ministério da Economia em 2020, complementa afirmando que dos 46 milhões de vínculos de emprego formal, apenas 486 mil estavam direcionados às pessoas com deficiência, o que equivale a menos de 1%.

Acessibilidade e quebra de barreiras

Além do preconceito, racismo e todas as barreiras já conhecidas no mercado, há a falta de preparo para empresas mais inclusivas, como a adequação da estrutura física do ambiente de trabalho, para assegurar a acessibilidade destes profissionais. Medidas simples e que, segundo o psicólogo com experiência em psicologia organizacional Adan Silva, são fundamentais para acolher e reconhecer talentos por, muitas vezes, excluídos e sem, ao menos, uma oportunidade.

“O que podemos apontar é que, de modo geral, a diversidade e a inclusão enriquecem o ambiente e vão além das ideias. Colocamos na prática a receptividade, abrindo espaço para os excluídos por conta da homofobia, racismo, misoginia. Acredito que, talvez esse reconhecimento das empresas se dá em perceber que a pluralidade torna, de fato, o ambiente mais profícuo. Uma semente que germina para galhos mais frondosos”, destaca o psicólogo relembrando que o pequeno avanço também é resultado das lutas dos movimentos sociais.

“Não podemos esquecer que esse pequeno passo também vem de muita luta dos movimentos sociais e essa pressão acabou sendo vista pelo mercado como algo positivo. Que os avanços continuem, ainda falta muito, mas é possível” finaliza.