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23 de junho de 2021
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Alessandra Leite – Da Revista Cenarium

MANAUS – Ensinar e monitorar os movimentos corretos para a escovação dos dentes de crianças entre seis e 12 anos de idade, por meio de um dispositivo ligado a um celular ou tablet, é a proposta da startup Keep Smiling, uma das cerca de 400 empresas de base tecnológica apoiadas pelo projeto Samsung Ocean, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desde sua criação no ano de 2014.

Em entrevista à REVISTA CENARIUM, um dos fundadores da empresa de soluções inovadoras na área da Saúde, o desenvolvedor e profissional de Tecnologia da Informação, Mário Torres, 34 anos, contou sobre o nascimento da startup – termo em inglês usado para definir empresas jovens ou recém-criadas com potencial de crescimento – em meio a um curso de aperfeiçoamento e capacitação tecnológica do Samsung Ocean, há quatro anos. “Eu nem conhecia os outros fundadores. Nossa startup é um produto do Ocean, nós nos conhecemos aqui e nos aproximamos devido ao programa. Começamos com esse produto cuja proposta é ajudar as crianças a aprenderem a forma correta de escovação, com o apoio de um hardware onde a escova é acoplada e a criança é levada a copiar os movimentos, em forma de brincadeira, como se fosse um jogo”, explica.

A partir da criação deste produto, Torres relata que a empresa foi ganhando novas possibilidades e, atualmente, “se enxerga mais como uma empresa Health Tech, ofertando soluções tecnológicas para a área da Saúde”, ressalta.

Um dos fundadores da ‘Keep Smiling’, nascida a partir de cursos de capacitação no Samsung Ocean em parceria com a UEA (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Torres explica que o produto ainda não está disponível no mercado, por estar em fase de melhoria e acabamento. O empreendedor destaca o caráter lúdico do que ele chama de jogo, pois ao copiar os movimentos de escovação corretamente, a criança vai ganhando pontos. “É como um jogo mesmo. E a nossa proposta é alinhar educação com diversão. Quem tiver interesse em adquirir o produto assim que for lançado, pode deixar o contato em nosso site que ganhará um cupom de desconto”, complementa. Antes de ser colocado à venda, o produto criado na “incubadora” do Ocean precisa passar por várias rodadas de validação e feedbacks do público-alvo.

Segundo o empresário, o ideal é que o hardware seja utilizado por crianças entre seis e 12 anos, devido à capacidade de realizar satisfatoriamente os movimentos, de modo que não fiquem frustradas. “Todos os nossos feedbacks foram muitos bons e todos vieram das crianças. Conseguimos resultados satisfatórios até com crianças de quatro anos, embora não seja o ideal”, disse.

Soluções para a Colgate americana

Após o sucesso com o projeto Keep Smiling, Torres conta que a empresa participou de um programa chamado “Circuito Open Inovation” – quando uma empresa tradicional abre as portas para receber visões mais inovadoras – o que culminou em um contrato com a empresa Colgate-Palmolive, de origem americana. “Nós estamos hoje criando outras soluções para melhorar os produtos deles. Um dos nossos fundadores é dentista, o que também  nos dá um respaldo nessa área. Uma startup está o tempo inteiro mudando, se ajustando, buscando a solução ideal para o problema certo”, esclarece.

Inicialmente, a empresa participou na Colgate Brasil, para depois de um ano exercitando novos projetos, ser apresentada para ao time da Colgate América Latina e, posteriormente,  chegar à Colgate americana, que é a matriz. ”Hoje somos uma empresa voltada para o “Health Tech”, desenvolvendo projetos e soluções para a área da Saúde.  Estamos descobrindo mundos novos, e emendando um projeto no outro desde que ‘saímos’ do Ocean”, diz o empreendedor, pontuando que as empresas nascidas no Ocean nunca quebram o vínculo.

A ‘Keep Smiling’ desenvolveu um dispositivo para monitorar e ensinar a escovação de crianças, que pode ser plugado em qualquer escova de dente e se comunica por bluetooth com o seu celular ou tablet (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Inteligência Artificial e Internet das Coisas

Na avaliação do professor de Engenharia da Computação da UEA e pesquisador do Samsung Ocean, Maurício Figueiredo, duas temáticas fundamentais nos dias de hoje são a “Internet das Coisas” e a “Inteligência Artificial”, ambas ferramentas centrais em todos os trabalhados elaborados no âmbito do Samsung Ocean. “A Internet das Coisas é um conjunto de tecnologias que permite aos nossos objetos, do nosso dia a dia, do nosso trabalho, da nossa casa, na nossa fábrica, coletem informações do que está acontecendo, possam conversar entre si e agir automaticamente”, explica.

O professor esclarece, ainda, que a “Internet das Coisas” proporciona essa coleta de dados no entorno dos ambientes, de modo que alguns chamam até de “novo petróleo”. “Se você considerar que as empresas mais valiosas do mundo são as que possuem dados, como o Facebook, a Amazon, o Google. Então, já se sabe que ter dados é muito valioso pra gente saber o que está acontecendo e poder prever o que ainda vai acontecer, com base nesses dados. E a Inteligência Artificial veio como uma ferramenta para automatizar essas tarefas, entender os dados. Então tudo isso agrega muito valor a qualquer tipo de negócio, não apenas os exclusivos da tecnologia, mas outras áreas do conhecimento que podem se beneficiar dos dados”, explanou.

Um exemplo citado pelo pesquisador, de como outras áreas do conhecimento podem evoluir utilizando-se dos dados, é a área da Saúde, que, em sua avaliação, está mudando radicalmente com o uso dessas ferramentas.

“Hoje nós utilizamos dados para um diagnóstico automático, uma ferramenta para descobrir anomalias, problemas que podem estar acontecendo, inclusive novas epidemias. Negócios na área da saúde podem se beneficiar muito disso, o que é similar na Agricultura, na Indústria, entre outras”, destaca.

Ainda sobre o uso da Inteligência Artificial, o professor explica que esse conjunto de dados, denominado de “big data”, está muito além da capacidade do ser humano de entender, interpretar, além de não haver a velocidade necessária para processar esses dados.

“Quando alguém chega com a ideia de criar um negócio, um produto ou um serviço, é natural que se considere essas tecnologias para agregar valor. Nós aqui no Ocean temos esses cursos na área de Tecnologia para dar esse suporte, inclusive com orientação, mentoria, para que essas startups pensem em desenvolver produtos de inovação, com alta tecnologia. Percebemos até funcionários de grandes empresas fazendo nossos cursos, que são abertos”, finaliza.

‘Streaming’ de eventos

Dois jovens de 27 e 25 anos, respectivamente, criaram a startup “Gysu”, uma espécie de streaming de ingressos ou ingressos por assinatura. A ideia de Viktor Rocha e Ana Léia da Silva Ferreira, é uma das que está recebendo suporte do programa Samsung Ocean. O apoio inclui, além das mentorias e cursos de capacitação, uma sala exclusiva com acesso a computadores ligados à internet, ar-condicionado e toda estrutura que imita um mini-escritório.

Fundadores e voluntários do ‘Gysu’, plataforma de eventos por assinatura, na sala do Ocean Launch (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

No local, os empreendedores podem trabalhar de segunda a sexta-feira, durante seis meses, época utilizada para validar o produto, de acordo com Viktor. “Trabalhamos com venda de ingressos online. O cliente faz uma assinatura mensal e tem direito de três a quatro eventos por mês. É como se fosse uma Netflix de eventos”, compara. Junto com ele, trabalham, além da outra fundadora, a desenvolvedora Mobile Ana Léia Ferreira, outros 11 voluntários, cujos propósitos de trabalho se identificaram com o projeto.

O novo local, chamado de Ocean Launch oferece dez salas para as startups, duas salas de reunião, uma sala de descompressão interativa (para repouso), em um espaço colorido, humanizado e cercado pela natureza.

Laboratório de fabricação digital

Professor Almir Kimura Júnior à frente do Laboratório de Fabricação Digital (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

À frente do Laboratório de Fabricação Digital do Samsung Ocean, o engenheiro elétrico e professor da UEA, Almir Kimura Júnior, destaca a importância do laboratório no suporte às startups, já que elas chegam com uma ideia inicial e precisam desenvolver hardware e software para criar os protótipos e, posteriormente, validar os produtos. “Nós chamamos esses projetos iniciais de MVP, que é o produto mínimo viável. Os alunos saem daqui com um diferencial bem legal para o mercado de trabalho, porque ofertamos treinamentos sobre as tecnologias mais atuais, temos equipamentos de última geração como impressoras 3D, bancada de desenvolvimento eletrônico, corte a laser. Dizemos que o espaço é bom para desenvolver qualquer coisa”, enfatiza.  

Na época da primeira onda de Covid-19 no Amazonas, Kimura relembra a produção de máscaras de proteção nas impressoras 3D, o que foi um grande suporte para os profissionais da Saúde no Estado. “Foi uma época em que disponibilizamos todas as impressoras 3D para a fabricação das máscaras. Hoje estamos desenvolvendo várias coisas, entre eles um dispensador automático de álcool em gel, que será controlado via aplicativo e, por meio do qual poderemos saber quanto de produto ainda tem e até quantas vezes foi usado”, demonstra.

Outro produto na fase de protótipo são as mãos robóticas para controle via internet. Por meio da mão robótica, segundo Kimura, será possível acessar movimentos a longas distâncias, dar suporte na Linguagem Brasileira de Sinais – Libras, ser útil para tentar pegar um objeto, interagir e brincar com as crianças e, assim por diante. “Essa é a ideia inicial, mas todos são protótipos ainda. É com eles que as startups conseguem financiamento para levar em frente a confecção do produto”, disse.

O laboratório de Fabricação Digital é dividido em três partes: elétrica, programação e mecânica.

‘Ocean Novos Negócios’

Estão abertas, até o próximo dia 19 de maio, as inscrições para o “Ocean Novos Negócios ou Ocean N2”, um programa de pré-aceleração com capacitação em tecnologia e empreendedorismo da empresa Samsung, em parceria com as Universidades Estadual do Amazonas (UEA), de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp). Serão escolhidos, neste processo, 20 projetos com propostas de soluções inovadoras para dispositivos móveis. Os interessados em participar da seleção devem acessar o site do Ocean Novos Negócios e realizar as inscrições gratuitamente.  

Voltado para startups com grau de maturidade inicial, ou seja, um produto minimamente viável, os projetos terão o suporte direto de mentores da USP, da UEA e da Unicamp, cujo intuito da parceria com a Samsung é aprimorar o mercado tecnológico do País.

De acordo com informações do Ocean Manaus, serão escolhidas até dez equipes oriundas da Amazônia Ocidental (composta por Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia) e Amapá, além de até dez startups das demais regiões do Brasil.

“O propósito da Samsung é empoderar as pessoas por meio da tecnologia e o Ocean Novos Negócios (Ocean N2) reforça nosso objetivo com uma proposta que dá oportunidade para que novos talentos sejam inseridos no mercado de forma mais eficiente. Sem contrapartida financeira pela participação no programa, as startups vão aprimorar seus projetos com treinamentos práticos, mentorias e palestras de professores e alunos da UEA, Unicamp e USP, profissionais da Samsung e parceiros, além de receberem capacitação gratuita em disciplinas tecnológicas e de empreendedorismo e manter contato com equipes de todo o Brasil e ecossistemas empreendedores da Samsung e das universidades”, afirma Eduardo Conejo, Gerente Sênior de Inovação na área de Pesquisa e Desenvolvimento da Samsung.

“Não é necessário ter uma startup já fundada. O importante é ter uma ideia sólida”, explica Eduardo Conejo.

Estão previstas, para cada equipe, mais de 60 horas de programação, com atividades focadas em treinamentos, mentorias, capacitações e redes com foco em aprimoramento dos projetos. Serão apresentadas ainda, conforme o Ocean, soluções hipotéticas de como uma startup poderá encontrar oportunidades para desenvolver um modelo de negócio, com ofertas de soluções criativas e inovadoras. Os projetos selecionados que finalizarem o Ocean Novos Negócios receberão certificado de participação emitido pelo Samsung Ocean e certificado oficial d curso de atualização emitido pela UEA e USP.

As atividades online programadas incluem treinamentos semanais de 1h30 sobre conhecimentos essenciais ao contexto dos novos empreendimentos, mentorias especializadas quinzenais, com duas horas de duração, para atendimentos individuais à cada equipe, conduzidas por especialistas nas diferentes áreas de atuação, incluindo quatro sessões divididas em Negócios, Tecnologias, Experiência do Usuário e Mercado.

A modalidade das mentorias coletivas serão quinzenais, também com duas horas de duração, realizadas por profissionais do ecossistema empreendedor, que apresentarão suas experiências, além de promover debates com os participantes do programa.

Por fim, os grupos também terão, quinzenalmente, o Café com Startups, com duas horas de duração, onde as equipes terão a oportunidade de expandir suas redes de relacionamentos e conexões. A carga horária prevista é de 4h30 semanais, com o total de 63 horas ao longo de 14 semanas.

SERVIÇO:

Ocean Novos Negócios (OceanN2)

Inscrições: Abertas até 19/05/2021; podem ser feitas pelo site do Ocean Novos Negócios.

Quem pode se inscrever: Startups de três a seis participantes com uma proposta de desenvolvimento de produtos ou serviços inovadores, preferencialmente relacionados a tecnologias digitais móveis. É importante que os participantes tenham perfil multidisciplinar e que possuam conhecimento e habilidades em Gestão, Inovação, Negócios, Marketing, Desenvolvimento de software e de sistemas e Design.

Investimento: Gratuito

Sobre o Samsung Ocean

Pioneiro no Brasil, o projeto Samsung Ocean entrou no País via UEA e é um centro de capacitação tecnológica, que oferece mensalmente uma agenda de cursos, palestras e talks. O objetivo é qualificar nas áreas de inovação, tecnologia e empreendedorismo, seja pelos cursos livres ou pelos programas oferecidos para quem quer empreender ou quem quer acelerar sua empresa de base tecnológica.

No contexto anterior ao da pandemia, os cursos eram locais, com em média 30 alunos por atividade presencial. O número saltou para 200 por atividade e 3.000 alunos no mês, no formato online.

Oriundo da Coreia, veio para o Brasil em 2014 , sendo instalado nos fundos da Escola Superior de Tecnologia da UEA, na avenida Darcy Vargas, zona Centro-Sul de Manaus. As outras duas unidades do Ocean são nas instalações da USP e Unicamp. O projeto é financiado com recursos da Lei de Informática.