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Com informações da Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – O Brasil ultrapassou a marca de 400 mil vidas perdidas no Brasil para a Covid-19. O triste número foi superado no início da tarde desta quinta-feira, 29. O número total é de 400.021 mortes no País, segundo dados coletados junto às secretarias pelo consórcio de imprensa formado por Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1.

Desde a primeira morte no Brasil, confirmada no dia 12 de março, passaram-se 413 dias. Isso quer dizer que a Covid-19 matou 968 pessoas por dia desde então. Ou seja, o País teve, em média, um óbito por complicações decorrentes do coronavírus a cada 89,2 segundos.

A análise das datas revela que o ritmo de mortes no País ainda está em aceleração. Desde o primeiro óbito no Brasil, o acumulado de mortes chegou a 100 mil em 8 de agosto de 2020. Ou seja, após 149 dias. O patamar de 200 mil foi atingido no último dia 7 de janeiro, 152 dias depois. Dali em diante, o ritmo se acelerou. A marca de 300 mil foi alcançada em 24 de março, ou seja, 76 dias depois dos 200 mil óbitos. E o patamar atual, de 400 mil, foi superado após 36 dias.

O número de 400.021 vidas perdidas para a Covid-19 é maior do que a soma das populações de seis distritos da cidade de São Paulo: Alto de Pinheiros (43.117 habitantes), Itaim Bibi (92.570 habitantes), Jardim Paulista (88.692 habitantes), Pinheiros (65.364 habitantes), Moema (83.368 habitantes) e Sé (23.651 habitantes). Ou seja, é como se todos os moradores desses bairros morressem.

Em números absolutos, o Brasil está em segundo lugar no ranking de mortes, atrás, somente, dos Estados Unidos, que já passaram dos 570 mil óbitos. Em termos proporcionais, entretanto, o Brasil tem 187,79 mortes por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, cuja população é superior a 332 milhões de pessoas, são 172,68 vítimas fatais por 100 mil habitantes.

Para o médico epidemiologista André Ribas de Freitas, professor da faculdade São Leopoldo Mandic, o Brasil cometeu dois erros importantes que contribuíram para a alta letalidade: a lentidão no ritmo de vacinação e os equívocos na estratégia de isolamento social.

O especialista defende a adoção de um modelo chamado de quarentena dos contatos, que, segundo ele, é recomendado pelos órgãos internacionais de saúde e adotado pelos países que tiveram maior sucesso no controle da pandemia.

O modelo consiste em isolar não somente o paciente contaminado pelo vírus, mas também todos que tiveram contato com o infectado. Segundo o médico, existe a possibilidade de essas pessoas estarem com o vírus e, mesmo assintomáticas, transmitirem para outros. Freitas acrescenta que grande parte das transmissões ocorre antes do início dos sintomas.

Apesar de o Brasil e o estado de São Paulo estarem apresentando uma estabilidade com tendência de queda no número de novas mortes e infecções, Freitas adverte que existe a possibilidade de o País ser afetado por outras ondas da doença. Com a retomada da econômica, ainda que gradual, há risco de os casos voltarem a subir. “É natural que, voltando as atividades de rotina, tenhamos um aumento no número de casos em um futuro não muito distante”, alerta.

O médico considera ainda que é fundamental que, mesmo quando grande parte da população estiver vacinada, as medidas de proteção — em especial o distanciamento social — sejam mantidas.

“Está demonstrado que não vamos ter imunidade de rebanho. O que acontece é que o coronavírus permite reinfecções. Dizer que vai ter uma quantidade suficiente de pessoas imunizadas é algo que não se sustenta. O que nós temos, de fato, é que a vacina vai proteger individualmente as pessoas e principalmente das formas graves”, diz. Ele cita também as novas variantes do vírus, que podem ser mais agressivas e letais.

Por esse motivo, ele afirma que é provável que as vacinas contra o coronavírus tenham de ser aplicadas de maneira recorrente, como acontece com o imunizante contra a gripe.

Na opinião do sociólogo Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), era “inevitável” que o Brasil fosse afetado pela pandemia. “Mas poderia ter sido não tão dramático”, diz. Na visão dele, o impacto da doença no País seria menor se o governo federal centralizasse, desde o início, as ações de combate ao coronavírus.

Ramirez diz que o fato de o noticiário apresentar diariamente altos números de mortes acabou “anestesiando” a população. “O excesso de informação acaba anestesiando a percepção dos cidadãos. É mais um dia com um alto número de mortos. Isso se torna algo normal para o senso comum. Temos o mesmo problema com a violência e o assassinato da população negra, por exemplo”.

O especialista entende que o alto número de óbitos em pouco tempo irá gerar consequências socioeconômicas para o País. “A curto prazo, já temos a redução na expectativa de vida”, argumenta.

Pesquisa divulgada no dia 20 de abril pela Fundação Seade revela que a expectativa de vida no estado de São Paulo caiu pela primeira vez em 81 anos. Em 2019, a expectativa de vida em território paulista era de 76,4 anos, número que caiu para 75,4 anos em 2020. No Brasil, a queda é de quase dois anos, segundo estudo da Universidade Harvard, dos Estados Unidos.

Ramirez criticou a decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido) de cortar a verba para realização do Censo 2021. “Com o Censo, teríamos um dado fresco e plausível sobre os impactos da Covid. Mas o próprio governo promove um negacionismo estatístico. O governo Bolsonaro não quer ter a mancha desses dados oficiais”, critica.