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6 de maio de 2021

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Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Especialistas entrevistados neste sábado, 24, analisaram o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre Economia Verde, feito durante a Cúpula do Clima realizada na última quinta-feira, 22. o chefe do Executivo brasileiro fez promessas relacionadas ao fortalecimento dos órgãos ambientais do Brasil, ao fim do desmatamento ilegal e à nova meta para atingir a neutralidade climática – para reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa e compensar as emissões restantes com medidas ambientais.

O conceito de economia citada foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (Pnuma). E para o engenheiro ambiental, José Antônio Coutinho, a discussão norteia os encontros climáticos. “Refere-se ao conjunto de ações que visam a promoção de uma economia com crescimento pleno, que se baseie no bem-estar social e que esteja centrada em reduzir os riscos ambientais. Além de conservar o meio natural ela busca conciliar a noção de produção de baixo carbono, o uso eficiente e sustentável dos recursos naturais e a inclusão social”, detalhou.

Criança ribeirinha pescando o próprio alimento dentro de uma unidade de conservação (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Coutinho explica ainda que os serviços ecossistêmicos e os limites planetários dados pela ciência são levados em consideração e constituem marcos dentro dos quais as atividades de produção, distribuição e consumo podem ter lugar. “Numa economia verde, os serviços dos ecossistemas são considerados nos processos de tomada de decisões, as externalidades ambientais são internalizadas, e questões como a mudança do clima, escassez do recurso água ou eficiência energética são elementos centrais orientadores do comportamento dos agentes”, apontou.

Oportunidades

Para o coordenador-executivo da Fundação Vitória Amazônica (FVA), Fabiano Silva, essa bioeconomia, que tanto se fala, deve ser uma economia circular regional baseada nas características e nas oportunidades de cada região do país, mas o próprio governo federal não tem implementado políticas que levem isso em conta.

“O processo precisa ser construído de baixo para cima, junto com as comunidades, municípios e não é isso que vemos. Vamos um conjunto de planos mal estruturados que vem de cima para baixo, do governo federal para os Estados e municípios, com baixíssimo envolvimento da sociedade civil e da academia. No final das contas acabam se mostrando planos ineficientes, caros e pouco efetivos para a demanda de desenvolvimento sustentável dessa população tão vulnerável que temos no Brasil”, assinalou Fabiano.

(Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Discurso x prática

Para Fabiano, o discurso de Jair Bolsonaro durante a cúpula é um discurso estético, relativamente bem escrito, mas cheio de inverdades e inconsistências. “De fato temos metas ousadas, já que o presidente acabou reduzindo o prazo para o atingimento das metas estabelecidas. Só que o que vemos na prática não é um direcionamento, pelo contrário, estamos vendo ritmos maiores de desmatamento, mais incêndios florestais, uma menor capacidade do estado na prática de efetivar as ações de comando e controle”, completa Silva.

O mestre em Relações Internacionais com foco em política ambiental e energética aponta ainda que houve um avanço dos órgãos de gestão ambiental nas décadas de 2000 e 2010, principalmente em termos de participação social, inclusão da sociedade civil, mas que a situação mudou de lá para cá. “Hoje esses órgãos estão absolutamente desmobilizados e com baixíssima capacidade de gestão ambiental de fato, tanto da Amazônia quanto de outras áreas biodiversas do Brasil”, destacou.

O engenheiro ambiental, José Antônio afirma que tratando-se de serviços ambientais os rios e florestas prestam significativamente um serviço ao mundo, então neste contexto, o Brasil precisa de estratégias definidas e claras para manter as afirmações contidas no discurso da economia verde e as responsabilidades para evitar a destruição ambiental que vem ocorrendo.

Sob Governo Bolsonaro, desmatamento e queimadas na Amazônia aumentaram (Reprodução/ Internet)

A Cúpula do Clima

Convocada pelo presidente do EUA, Joe Biden, a Cúpula do Clima tem o objetivo de ampliar os compromissos firmados no Acordo de Paris, realizado durante a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP 21) e em que 195 países se comprometeram com medidas para evitar que a temperatura do planeta se eleve em 1,5ºC em cem anos. O encontro foi realizado de forma virtual, contou com a participação de 40 países e foi dividido em duas sessões. A cúpula antecede a 26ª Conferência sobre o Clima, a COP26, que será realizada em novembro, em Glasgow, na Escócia.