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29 de janeiro de 2022
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Com informações do Site UOL

Quem tem mais de 30 anos deve se lembrar que, nos anos 2000, era comum o uso da sigla GLS para se referir a Gays, Lésbicas e Simpatizantes. Depois, mudou para LGBT. E, para incluir mais gente, hoje a versão mais completa da sigla conta com sete letras e um sinal de soma: LGBTQIA+.

Pode ser difícil entender o significado de cada letra, como foi o caso da apresentadora Patrícia Abravanel, que pronunciou uma sequência de letras aleatórias durante o programa “Vem Pra Cá”, do SBT, na última terça-feira, 1º , ao pedir “compreensão” com “quem ainda está aprendendo”.

A sigla LGBTQIA+ reúne orientações sexuais (ou seja, por quem cada pessoa se sente sexual e afetivamente atraída) e identidades de gênero (como a pessoa se identifica). Veja a a seguir o que cada uma dessas sete letras e o sinal de soma + representam.

L: lésbicas

É uma orientação sexual e diz respeito a mulheres (cisgênero ou transgênero) que se sentem atraídas afetiva e sexualmente por outras mulheres (também cis ou trans).

G: gays

É uma orientação sexual e se refere a homens (cisgênero ou transgênero) que se sentem atraídos por outros homens (também cis ou trans).

B: bissexuais

Bissexualidade também é uma orientação sexual; bissexuais são pessoas que se relacionam afetiva e sexualmente tanto com homens quanto com mulheres (inclusive homens e mulheres transgênero, que também podem ser bissexuais).

T: transexuais ou travestis

Este é um conceito relacionado à identidade de gênero e não à sexualidade. Pessoas transexuais não se identificam com o gênero biológico, ou seja, quem nasce com pênis e se identifica como mulher (neste caso, uma mulher trans) ou quem nasce com vagina e se identifica como homem (um homem trans).

As travestis, por sua vez, são mulheres trans que preferem ser chamadas dessa maneira por motivos políticos, de resistência. “Ao me apresentar como travesti quero demarcar a luta histórica que as travestis travaram durante muito tempo. A palavra traz consigo resistência, luta e ação”, disse a Universa a vereadora Érika Hilton (Psol-SP), primeira travesti eleita para a Câmara Municipal de São Paulo.

Q: queer

O termo em inglês, que pode ser traduzido como “estranho”, é usado para designar as pessoas que não se identificam como sendo 100% homem ou 100% mulher, mas se veem como sendo de um terceiro gênero, fluido/andrógino, com característica masculinas e femininas. A pessoa queer também não vê sua orientação sexual definida como hetero ou homossexual.

“O queer envolve sujeitos que não correspondem à heteronormatividade, seja pela sua orientação sexual, identidade de gênero, atração emocional ou pela sua expressão de gênero”, explica a professora Bruna Irineu, da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e presidente da ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura).

I: intersexo

A intersexualidade descreve as pessoas que podem nascer com genitais correspondentes a um sexo, mas ter o sistema reprodutivo e os hormônios do outro. Ou podem apresentar uma anatomia sexual que não é nem masculina nem feminina — o que leva alguns intersexos a fazer a cirurgia de redesignação sexual. No passado, essas pessoas eram chamadas erroneamente de hermafroditas, termo que não é mais socialmente aceito.

Segundo o Manual de Comunicação LGBTI, ainda é comum a prescrição de terapia hormonal e a realização de cirurgias destinadas a adequar a aparência e a funcionalidade da genitália, muitas vezes antes dos dois anos de idade — essa definição de gênero tão cedo muitas vezes é rejeitada na vida adulta.

A: assexual

Os assexuais são as pessoas que não sentem atração sexual, seja pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo — o que não significa que não possam desenvolver sentimentos amorosos e afetivos por outras pessoas.

“Todas as vezes que fazemos tentativas de encaixar, enquadrar e resumir identidades, corremos o risco de ser injustos. A gente vai agregando ao longo da história, mas não consegue abarcar todas as subjetividades”, ressalta Bruna Irineu.

Por isso, a sigla ganha um símbolo de soma no final, como uma tentativa de incluir demais variações de orientação sexual e identidade de gênero que não estão representadas nas primeiras letras. Conheça algumas delas:

Pansexualidade: é uma orientação sexual que rejeita a noção de dois gêneros, o que significa que podem desenvolver atração física, amor e desejo sexual por outras pessoas independentemente de sua identidade de gênero ou sexo biológico.

Não binariedade: uma pessoa não-binária não se sente em conformidade com o sistema binário homem/mulher. Crossdresser: homens que não são transexuais, mas que sentem prazer ao se vestirem como mulheres, mas não se consideram travestis.