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22 de novembro de 2021
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Os nove Estados da Amazônia Legal somam 611 indígenas mortos em decorrência de complicações pelo novo Coronavírus. Os dados foram divulgados nessa quinta-feira, 27, pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Segundo a entidade, são 737 óbitos em todo o País.

O número da entidade indígena registrado apenas na Amazônia Legal é quase o dobro do detectado pelo Ministério da Saúde em todo o País, que é de 362.

Para o líder indígena da etnia Baré, Orlando Baré, os povos indígenas brasileiros, historicamente, vêm caminhando sob intensa política de exclusão, massacres sem precedentes e integracionismo massacrante. “É preciso que este governo, sem burocracia, dê uma atenção imediata aos nossos parentes, sobretudo em logística e profissionais na esperança de salvar vidas. E, paralelo à isso, o respeito à integridade ambiental dos nossos territórios”, disse.

A última atualização do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, também divulgada na quinta-feira, informou ainda que 22.579 indígenas estavam infectados com novo Coronavírus até o momento no Brasil. Já a Coiab revelou que o número exato era 24% maior: 28.093 casos.

Impasse

Os números federais são compilados pelos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) e, constantemente, são alvo de críticas por parte de lideranças indígenas. Um dos motivos pela divergência de casos, se dá pelo fato de o Governo Federal reconhecer apenas como indígenas aqueles com Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (Rani).

“Não temos Rani porque não é o papel de um homem branco que vai definir quem eu sou. Basta que meu povo me reconheça dessa forma. Não é porque eu não tenho um Rani que eu deixo de ser indígena ou perca minha ancestralidade e a minha cultura”, disse a líder indígena Milena Kokama.

Em maio deste ano, a REVISTA CENARIUM conversou com um indígena Kokama que perdeu 11 familiares por Covid-19, no Amazonas, e para evitar novas infecções entre seu povo, estava recorrendo à medicina tradicional.

Morando em Tabatinga (a 1.111 quilômetros de Manaus, no Amazonas), Edney da Cunha Samyas, 38 anos, falou que o método “salva mais vidas que a medicina do homem branco”.

Veja o Boletim Epidemiológico divulgado pela Coiab em 27 de agosto:

Veja o Boletim Epidemiológico da Sesai divulgado em 27 de agosto: