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20 de novembro de 2021
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Mencius Melo – Da Revista Cenarium

MANAUS – Culpar os indígenas pela extração ilegal de madeira da região amazônica. Esse foi o argumento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para justificar as apreensões por parte da Polícia Federal (PF) de enormes carregamentos de madeira contrabandeada, em inúmeros municípios da região amazônica nos últimos meses.

Segundo o mandatário brasileiro, “Índio troca madeira por Coca-Cola” e a fala provocou a ira de centenas de entidades ligadas ao meio ambiente e às populações tradicionais. Desta vez, a história se repete: Um flagrante de contrabando de madeira foi apreendido pela Polícia Federal (PF) na divisa dos Estados do Amazonas e do Pará.

Um carregamento inteiro de madeiras especiais, destinadas às movelarias de alto padrão, estava ancorado no município de Parintins (AM), na divisa com o Pará. O delito ainda transcorre nas raias da justiça e ao que parece indica uma rede bem organizada de contrabando, que atua nas brechas da lei e na inércia dos órgãos de fiscalização governamental.

A carga composta de ‘madeiras nobres’ não se destina a carvoarias, pelo contrário, compõe a ‘fina flor’ da indústria do design de móveis projetados. Fontes apuradas pela REVISTA CENARIUM garantem que o produto tem destino certo: Europa ou o disputado mercado de móveis nos Estados Unidos.

Minimizar é preciso

Para o cientista político Marcelo Seráfico, a ideia do presidente é naturalizar ou mesmo simplificar, o problema. “Ele quer minimizar a gravidade do problema do avanço da exploração predatória na Amazônia e para isso ele atribui aos povos tradicionais a culpa pela exploração”, observou. “Para o governo e para setores que o apoiam, é preciso atribuir essa exploração aos povos originários”, pontuou.

“Há um processo produtivo que tem apoio de uma cadeia produtiva articulada internacionalmente. Até pode existir um padrão legal, mas são predatório. Quadros como este, contam com a cumplicidade do presidente da República e são esses setores que se beneficiam da exploração predatória”, denunciou.