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18 de janeiro de 2022
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Gabriel Abreu – Da Cenarium

MANAUS – O Brasil atingiu, na última sexta-feira, 8, a triste marca de 600 mil óbitos ocasionados pela grave crise sanitária causada pelo novo coronavírus. São 575 dias de pandemia e o Brasil é o segundo País no mundo a atingir essa marca. Estados e municípios viveram duas ondas durante a pandemia, sendo que a segunda causou muito mais impacto. Nas ruas da capital amazonense, entrevistados ouvidos pela CENARIUM lamentaram a marca e chegaram à conclusão de que muitas delas poderiam ter sido evitadas se medidas de prevenção tivessem sido respeitadas por parte negacionista da população e pelo governo federal. “Era preciso mais investimento em Saúde”, concluíram.

Veja a seguir depoimentos de pessoas que defenderam a vacinação e as medidas de prevenção contra a doença:

A aposentada Cleuma Barros, de 56 anos, se emocionou, ao longo da entrevista, ao lembrar do pai que morreu em virtude do novo coronavírus. Para ela, o que ficou foram memórias afetivas do pai.

“É horrível. É uma sensação muito ruim, não é nada bom, meu pai faleceu vítima da doença. Não coloco culpa em ninguém, porque o vírus é invisível, ele está em toda parte. Eu indico a todos a tomarem a vacina, eu tomei as duas doses da vacina contra a Covid-19 e peço para quem ainda não tomou a vacina que tome, pois ela pode salvar vidas, além, claro, de usar a máscara e evitar aglomerações”, disse.

Cleuma Barros, 56 anos, aposentada, no Centro de Manaus (Gabriel Abreu/ Revista Cenarium)

Nas ruas do Centro de Manaus, a reportagem encontrou as amigas Ismarelene e Jaqueline, ambas técnicas de enfermagem. Elas destacaram a importância das medidas de prevenção contra a Covid-19 e investimentos na área da Saúde.

“Com certeza, essa quantidade de mortes poderia ter sido evitada se o governo federal tivesse comprado a vacina contra a doença antes. Vidas teriam sido salvas. Era para ter investido o dinheiro o quanto antes nessa vacina. Somos um país rico. Houve omissão. E se alguns tivessem respeitado as normas de prevenção, muita gente teria se salvado. Tive parentes que tiveram a doença, mas nos tratamos e ninguém faleceu. Com certeza, com o avanço da vacinação, logo logo vamos voltar para nossa vida normal”, desabafou a técnica de enfermagem Ismarelene Fonseca.

“Poderia ter sido evitado esse número se a rede de saúde estivesse preparada para receber a demanda, que foi alta. Foi um absurdo tanta negligência por parte do governo federal, que não tomou medidas para evitar essas mortes. Poderia ter comprado a vacina antes, já que foi oferecida ao nosso País bem antes da segunda iniciar. Eu tomei a vacina e recomendo que a pessoa que ainda não tomou nenhuma dose tome, pois salva vidas e não viveremos outro caos como aquele de janeiro”, salientou a técnica de enfermagem Jaqueline Silva.

Ismarelene Fonseca (à esq) e Jaqueline Silva (à dir) (Gabriel Abreu/Revista Cenarium)

A líder de serviços gerais Francisca Pereira lembrou com muita tristeza da amiga que faleceu por complicações da doença. “Esse momento é de muita tristeza. Muita gente boa que não era para ter morrido, que era para estar vivo. Principalmente, a minha colega que eu amava. Ela faleceu vítima da Covid-19. Eu a amava muito. Recebi a notícia de que ela havia falecido no trabalho, para mim é uma tristeza”, lembrou a líder de serviços gerais Francisca Pereira.

Francisca Pereira Mesquita, líder de serviços gerais (Arquivo/Pessoal)

O empresário Paulo Loureiro afirmou que apontar um culpado pelas mais de 600 mil mortes é algo muito relativo, mas que é necessário uma reflexão da população sobre o assunto.

“Agora, a população precisa se cuidar, acaba que todo mundo tem uma parcela de culpa, desde o pai de família, até o presidente da República, Jair Bolsonaro. É muito fácil dizer para ficar em casa quem tem uma grana boa no banco e é complicado você ver o seu par passando necessidade, mas também é muito complicado ver teu filho em uma festa de funk na favela multiplicando esse vírus e levando esse vírus para as pessoas que estão em casa e que são mais vulneráveis e sem condições nenhuma para trabalhar”, destacou o empresário.

Paulo Loureiro, empresário (Arquivo/ Pessoal)

Personalidades

Em meio aos anônimos, personalidades também foram vítimas da doença. A morte do ator e humorista Paulo Gustavo, aos 41 anos, deixou muita gente abalada. A família do ator lutou até o último momento para que Paulo continuasse vivo, mas não resistiu a complicações da doença.

Zezinho Corrêa (à esq.), no meio o ator Paulo Gustavo e Rosamary Costa Pinto (à dir.) (Catarine Harck/Revista Cenarium)

No Amazonas, uma das vítimas da Covid-19 e que estava diariamente na luta e no combate à pandemia foi Rosamary Costa Pinto, até então diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Ela lutou contra a doença por duas semanas.

Além de Rosemary, a morte do cantor Zezinho Corrêa, um dos principais nomes da música amazonense conhecido internacionalmente pelo hit “tic tic tac”, também deixou a todos surpresos.