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18 de maio de 2021

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Paulo Bahia – Da Revista Cenarium

MANAUS – Intelectuais nascidos no município de Maués (a 259 quilômetros da capital amazonense) fundaram nesta terça-feira, 13 de abril, a Academia de Letras de Maués, com a presença de sete dos primeiros membros. A reunião de criação da academia, que será a terceira dos 62 municípios amazonenses, além de Parintins e Itacoatiara, contou com poucos integrantes para respeitar as medidas de distanciamento para contenção da pandemia de Covid-19. A nova instituição tem entre seus membros uma jornalista da REVISTA CENARIUM, a escritora Alessandra Leite.

Para o médico oftalmologista e membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), Cláudio Chaves, que recebeu os membros no auditório professor Luiz Eurico Ferreira nas dependências do Instituto de Oftalmologia de Manaus, a criação de uma Academia de Letras em Maués vem como a realização de um sonho em valorizar a cultura e a tradição da “terra do guaraná”, com sua rica história.

“Como membro da Academia Amazonense de Letras, eu me coloco à disposição para emprestar qualquer apoio que esteja ao meu alcance, a exemplo do que fizemos em outros municípios do Amazonas. Maués pela sua rica tradição e história e com seus intelectuais tem tudo para ter a sua própria Academia de Letras”, declarou Chaves.

Legados

O membro da AAL fez questão de enfatizar que as academias de letras não são sítios exclusivos de poetas, prosadores, contistas e romancistas, embora os congregue. “As academias de letras são instituições que congregam pessoas de boa vontade, na imortalização do pensamento, nas diversas áreas do conhecimento, sejam advogados, médicos, odontólogos, jornalistas, artistas plásticos e também os romancistas, prosadores, poetas, contistas etc., afirmou.

Ao reafirmar a natureza eclética dos espaços das academias de letras, Chaves enfatizou que o mais importante é o clima que se constrói nesse ambiente, de sempre discutir as questões maiores do conhecimento, com vistas em uma construção social, levando o legado às novas gerações de onde brotarão os futuros acadêmicos.

“Então, a academia é como uma floresta, que sempre está se renovando e o adubo representa as folhas caídas dos outonos, daqueles que se foram e tornaram o solo mais fértil e dali brotar árvores tão ou mais frondosas que as dos seus antecessores. Para que a floresta continue, ela não pode fechar-se em si mesma nem tampouco o conceito equivocado que muitos têm, de ser uma casa de velhos. Geralmente, são pessoas serenas, maduras, porque tiveram o privilégio de envelhecer, mas as academias também congregam pessoas de tenra idade”, declarou.

Alessandra Karla Leite nasceu em Maués (AM), formou-se em Jornalismo em Manaus (AM)  no anos de 2004 e especializou-se em Comunicação, Cultura e Arte, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 2008. Atuou como repórter e editora nos principais jornais de Manaus e nos veículos Folha de São Paulo e  O Estado de S. Paulo como correspondente eventual.  Em 2013, estreou na literatura com a obra “O leão e a libélula”,  pela editora Valer. Em 2021 lançou o segundo livro, “Emma e a Estrela das Águas”, também pela Editora Valer, com apoio da Lei Aldir Blanc. Atualmente, é repórter na Revista Cenarium, em Manaus. 

Inauguração

A data de inauguração da Academia de Letras de Maués, conforme o discutido na reunião, deverá ser uma data que se adeque à história do município, como o dia do aniversário da cidade, em 25 de junho. O artista e membro da recém-criada Academia de Letras de Maués, Ismael Rodrigues Pinheiro Filho, destacou a honradez e a bravura do povo mauesense e a possibilidade de fazer algo significativo para as futuras gerações.

Maués, a 356 quilômetros de Manaus via fluvial, é reconhecida por sua cultura e tradição, incluindo presença de intelectuais (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

“A terra dos cabanos que resistiram, insistiram e lutaram por aquele pedaço de chão, onde então os tuiçás e os descendentes dos tuiçás, os grandes líderes daquela cidade, aqui representados, cada um vindo de um local muito belo de Maués, recebem esse apoio para a criação de uma Academia de Letras. Imortais serão todos os mauesenses, que continuarão vivos nos nossos ideais. Novos galhos do guaranazeiro, mas as raízes são as mesmas”, ressaltou.

A criação da Academia de Letras de Maués teve, ainda, a articulação da jornalista e advogada Inácia Caldas Puga, mauesense que sempre destacou suas origens, inclusive em trabalhos acadêmicos internacionais. Puga é doutoranda em Direito Civil na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires ( UBA) com tese abordando a Legislação Consuetudinária dos Índios Sateré-Mawé.

Confira o discurso de abertura da academia no vídeo abaixo:

Médico e membro da Academia Amazonense de Letras, Cláudio do Carmo Chaves, ofereceu apoio à criação da instituição em Maués (Inácia Caldas Puga)

Edição: Carolina Givoni