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15 de outubro de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – No total, de janeiro a maio deste ano, foram mais de 2.336 quilômetros quadrados desmatados, um aumento de 14,6% na área devastada em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Estes números se referem a uma crescente que ocorre desde o ano passado. Em 2020, o desmatamento anual atingiu 11.088 quilômetros quadrados, batendo o recorde histórico de 2008.

A Amazônia Legal é uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados que corresponde a 61% do território brasileiro e engloba os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de parte do Maranhão.

Os dados do Inpe mostram, também, a evolução mês a mês do desmatamento na região. Em janeiro deste ano, por exemplo, a área desmatada foi menor que o mesmo mês do ano passado. Neste ano, foram 86 quilômetros quadrados desmatados e, no ano passado, foram 284 quilômetros quadrados. O mês seguinte, fevereiro, também seguiu essa tendência de diminuição. Foram 122 quilômetros quadrados contra 327 quilômetros quadrados no ano passado. Porém, em março, o tamanho da área desmatada disparou para 367 quilômetros quadrados, passando para 580 quilômetros quadrados em abril e 1.180 quilômetros quadrados em maio – quando só foram validados os dados de 28 dias do mês – a maior taxa desde 2015.

Estados

Dados da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) do Amazonas indicam números mais específicos referentes às unidades federativas da região. De 01 de janeiro a 28 de maio de 2021, o Estado mais desmatado ilegalmente foi o Pará, que perdeu 857,57 quilômetros quadrados da sua cobertura vegetal. O segundo lugar no ranking é do Amazonas, com 556,28 quilômetros quadrados desmatados. O terceiro é o Mato Grosso, com 513 quilômetros quadrados, e o quarto é Rondônia, com 275,79 quilômetros quadrados.

Essas quatro unidades federativas fronteiriças têm características em comum que colaboram para estarem no topo desse triste ranking: intensa atividade de grilagem de terras para economias baseadas na agricultura e pecuária. De acordo com o biólogo Rômulo Batista, líder do projeto de queimadas e desmatamento do Greenpeace Brasil na campanha de Amazônia, o Amazonas é onde mais recentemente foi intensificado um processo de ocupação territorial mais característico dos outros três Estados e que culmina nas crescentes taxas de desmatamento.

“Alguns cientistas cunharam o termo de ‘Rondonização do sul do Amazonas’, que é a repetição do processo de ocupação territorial que vem, por meio da grilagem, tratando com muita violência as comunidades que se estabeleceram ali há 50, 100 anos, muita violência contra os povos indígenas e invasão de seus territórios, e também a falta de respeito até mesmo com as unidades de conservação”, pontuou ele.

Municípios

No período de 1º de janeiro a 4 de junho, os três municípios que mais foram desmatados na Amazônia foram Altamira (250,80 quilômetros quadrados) e Novo Progresso (226,96 quilômetros quadrados), ambos no Pará, e Lábrea (197,83 quilômetros quadra – dos), no Amazonas. Dados de outro órgão que também mede as áreas desflorestadas, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), apontam que nos cinco primeiros meses deste ano o Pará encabeçou a lista do desmatamento três vezes. Amazonas e Mato Grosso lideraram esta lista uma vez, cada um.