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25 de setembro de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – As queimadas no bioma Amazônico têm estreita relação com o desmatamento na região. Tanto que em 2020, ano em que o desmatamento anual atingiu recorde desde 2008, o número de queimadas também atingiu o maior patamar desde 2010, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 222.797 focos de incêndio, 12% a mais que os 197.632 registrados no ano anterior. A perspectiva para esse ano é ainda mais preocupante, devido aos recordes já atingidos nos meses de março, abril e maio.

Dados divulgados no dia 1º de julho, pelo Inpe, apontam que o mês de junho registrou o maior número de focos de calor na Amazônia desde 2007, na comparação com o mesmo mês dos anos anteriores. Os satélites mostram que foram 2.308 focos de calor, o que representa um aumento de 2,6% em relação a junho de 2020, quando já havia sido batido o recorde histórico.

Para o porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista, esse novo aumento vem na mesma semana em que o governo federal decide manter o mesmo plano que fracassou de maneira incontestável nos últimos dois anos: uma moratória do fogo e o envio de forças armadas, por meio do decreto de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para combater o desmatamento e as queimadas na Amazônia.

“Infelizmente, esse recorde no mês de junho não é uma surpresa, considerando a continuidade da política ‘antiambiental’ e a insistência na utilização de uma ferramenta cara, como o envio de tropas militares, que se mostrou ineficiente nos últimos dois anos. Na verdade, é mais uma estratégia para inglês ver, pois, além de ser por um período mais curto do que nos anos anteriores, o próprio decreto já avisa os desmatadores e grileiros onde irão fiscalizar nesse período”, comenta Rômulo Batista.

Para os próximos meses, o cenário dificilmente será diferente do visto nos últimos dois anos. Com números altos de queimadas ainda no começo do verão amazônico, meses onde há uma diminuição natural das chuvas na Amazônia, esses números tendem a subir ainda mais.

“Estamos vivendo um momento muito triste para a floresta e seus povos. Eles estão sendo atacados por todos os lados, seja pelos desmatadores, grileiros, madeireiros e garimpeiros que avançam sobre a floresta ou territórios, seja por meio do Congresso e do Poder Executivo que, não só não combatem esses crimes e danos ambientais, como os estimulam, seja por atos ou omissões”, conclui Rômulo.

“Limpeza”

O fogo faz parte do processo de “limpeza” do solo que foi desmatado para, posteriormente, ser usado na pecuária ou no plantio. Com mais áreas desmatadas para a criação de pastos e plantações, mais áreas surgem para queimar.

“O fogo tem sido, cada vez mais, utilizado como instrumento de degradação da floresta. Tem aumentado muito o fogo em áreas de floresta degradadas. A floresta quando está íntegra, é muito difícil de pegar fogo porque ela está úmida, tem barreiras naturais que favorecem para o fogo não se espalhar”, explica o biólogo Rômulo Batista.

O biólogo explicou ainda que depois do “primeiro fogo, cerca de 50% das árvores da Amazônia morrem, depois do segundo ou terceiro esse número pode chegar a 90%, quase 100%, dependendo da região”.

Esse “primeiro fogo” se refere ao primeiro dano causado pela queimada, uma forma de preparo para o próximo dano, ou “segundo fogo”. Depois da primeira queimada, árvores e arbustos caem no solo e formam um tapete de matéria orgânica propício para entrar em combustão. Uma maior intensidade de luz e vento penetra na mata, devido à abertura que as chamas provocaram no dossel das árvores, e seca mais rapidamente este material, formando a condição perfeita para a ocorrência de mais focos de incêndio na área. Na última queimada, já ocorre o dano mais permanente à floresta.

Com informações da assessoria do Greenpeace.