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25 de julho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

PUNÃ (UARINI-AM) – Na grandiosa e majestosa Amazônia, as riquezas naturais chamam a atenção dos olhares de todo o mundo e tornam o turismo fonte de renda e desenvolvimento para as comunidades ribeirinhas da região. Em Punã, uma pequena vila do município de Uarini (a 722 quilômetros de Manaus), atuar nesse ramo de maneira sustentável é o desafio proposto por jovens empreendedores que elaboraram projetos para fomentar a atividade turística no local.

A meta é colocar em prática ainda este ano com o apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que promoveu, entre os dias 30 de junho e 2 de julho, um curso de capacitação para qualificar os jovens ribeirinhos da comunidade localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá. O objetivo da oficina é estimular os participantes a elaborarem projetos para geração de renda que fosse benéfica para a comunidade, nas áreas de cultura, turismo, educação e meio ambiente.

Denis Oliveira afirma que pretende gerir o Cine Punã (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

O primeiro projeto elaborado pelos estudantes empreendedores é o Cine Punã, que deve ser instalado na histórica Casa Punã, um prédio centenário construído no início do século XX para ser usado como um centro comercial. O negócio busca ser uma atração turística e inovadora para o local, além de um ponto de descontração para admiradores da sétima arte.

“Aqui pela região não tem uma atração como essa e eu, junto com os demais alunos, pensamos em elaborar esse projeto voltado para Punã e também para as comunidades vizinhas”, destacou Denis Oliveira, de 28 anos, estudante de Geografia na sede de Tefé da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O segundo projeto é a Casa de Comida Punã, que tem como foco ser um restaurante somente com comidas regionais, proporcionando aos visitantes a degustação de pratos com os peixes mais comuns da região, além de outras especialidades como o açaí punãense, cuja característica pastosa chama a atenção. O empreendimento também será instalado na Casa Punã.

Lorem Miguel espera que a Casa de Comida Punã seja atrativa também para outras comunidades (Bruno Pacheco/Revista Cenarium)

“A ideia é ter as comidas regionais. A maioria de nós, que somos da região, sabe de que maneira aquele produto pode ser usado. Por exemplo, o açaí, todos sabem que tem o vinho gelado feito do caroço, mas existem outras receitas que podem ser feitas a partir do açaí”, contou Lorem Miguel Diamantino, de 20 anos.

De acordo com a jovem, a Casa de Comida Punã também ajudará na valorização da cultura local, a história da comunidade, do surgimento até o tempo atual.

“Tenho certeza que a comunidade vai ficar muito feliz com essa ideia, porque saber que por meio de um restaurante, de um cinema, do turismo, pessoas de fora estarão conhecendo a história da nossa comunidade. Pode ter certeza que esse projeto chegará em todos”, concluiu Lorem.

Projetos

As iniciativas foram escolhidas pela FAS para ser implementada na Casa Punã, que foi revitalizada pela fundação e entregue no início de junho deste ano. Os projetos foram apresentados de forma remota para o superintendente-geral instituição, o PhD por Harvard e pós-doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade da Flórida, Virgilio Viana, e são resultado do curso de Gestão do Desenvolvimento Sustentável, promovido pela fundação, em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).

Carregar o cesto de palha com os ouriços de castanha é um desafio, afirmam moradores (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

O curso faz parte do Projeto Amazonas Sustentável, implementado pela FAS com apoio da Petrobras, que busca promover a conservação ambiental, contribuir para o desenvolvimento local e na melhoria das condições de vida ribeirinha. Na oficina, os participantes receberam orientações técnicas de representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam).

“O foco principal dos projetos que estão saindo durante esses três dias de curso é que eles gerem renda, desenvolvimento pessoal, incentivo fiscal tanto de recurso humano quanto financeiro para ajudar os alunos, a comunidade e a região”, destacou Gil Lima, coordenador do Projeto Amazonas Sustentável.

Elza e Efraim colhem as castanhas antes que as cotias peguem (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

De acordo com Gil, a partir dessa etapa de desenvolvimento de propostas, os jovens empreendedores passarão por um laboratório de seis meses de experiência para implementar os projetos. O cesto de palha com os ouriços da castanha são um desafio para um bom preparo físico. Os comunitários afirmam que um cesto carregado pelo fruto chega a pesar em torno de 20 quilos.

Punã

A comunidade Punã fica no interior do Amazonas e é símbolo de resistência e resiliência. Entre os moradores, principalmente os adolescentes, o que reina é a força de vontade para buscar crescimento para a região. Mas, entre os mais novos, a doce convivência com os bichos mostra a presença e a importância da floresta. O menino ribeirinho, Raí Praia Martins, de 12 anos, mora com a família numa casa de palafita e, durante o dia a dia, gosta de brincar com um macaco-prego. “Ele é meu melhor amigo””, afirma o garoto.

O menino ribeirinho, Raí Praia Martins, de 12 anos, com seu macaco-prego. “Ele é meu melhor amigo”, diz (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)
Derlane Lima Vieira, de 13 anos, com seu papagaio (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Derlane Lima Vieira, de 13 anos, é estudante do ensino fundamental e, quando está em casa, ora estuda, ora acaricia o papagaio que ela e a família cuidam. Além da presença de animais, a comunidade também é rica em frutos naturais da região, como o açaí e a castanha. Elza Macário Xavier, de 26 anos, e seu filho, Efraim Xavier, de 9 anos, ajudam o marido na colheita de castanha. “Nós colhemos antes das cotias aparecerem”, brinca ela.