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6 de maio de 2021

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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A pandemia do novo coronavírus derrubou a economia global em 2020 e o Brasil não ficou imune ao abalo provocado pelas restrições impostas à atividade econômica e pela queda na renda das famílias. A necessidade de isolamento social para conter  avanço da doença fez o faturamento de setores do comércio, indústria e serviços da economia brasileira despencar no ano passado e, consequentemente, resultar no aumento da taxa de desemprego.

Além disso, a pandemia deixou também demonstrações dos impactos que a falta de coesão entre os governos federal, estaduais e municipais, e ainda entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, podem causar na vida dos milhões de cidadãos brasileiros. A falta de liderança no controle da crise e a omissão na tomada de decisões por medidas mais rígidas que poderiam fazer a pandemia ser controlada, ainda no início, fazem falta quando olhamos para a nova realidade em que muitas pessoas se encontram, que é a da pobreza.

Essa ideia é reforçada pelo cientista político Carlos Santiago, que destacou, ainda, que a Amazônia passa por uma das piores tragédias de sua história com milhares de vítimas. “Durante o ano de 2020, não aconteceu uma sintonia entre os poderes Executivos nos planejamentos e ações contra a Covid-19. O governo federal ficou distante dos Estados e dos municípios, defendendo medidas precoces sem reconhecimento científico. Os governos municipais e estaduais também não estavam afinados”, enfatizou.

Mesmo sem ter ocorrido lockdown – fechamento total das atividades – no país na primeira onda da pandemia, as medidas de isolamento social tomadas serviram para reduzir o número de infecções e mortes. Um estudo coordenado pelo Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para a Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) indicou que o isolamento social, apesar de adotado depois que o vírus se espalhou em 2020, diminuiu a taxa de transmissão de 3 para 1,6 contaminados por pessoa infectada.

“Em 2020, não houve  sintonia entre os poderes Executivos nos planejamentos e ações contra a Covid-19. O governo federal ficou distante dos Estados e dos municípios”, Carlos Santiago, cientista político.

No entanto, essas medidas, mesmo sendo de extrema necessidade, contribuíram para a instabilidade econômica que assola o país, conforme lembra ainda o economista Orígenes Martins Júnior. “No meu entender, a questão do lockdown deveria ter sido levada a sério no período inicial da pandemia. Esse comportamento de fechar parceladamente partes da sociedade, além de ser atitude política, não resolve o problema e causa angústia social.  Se vão fechar, que o façam com seriedade e deem suporte aos necessitados que hoje vivem a pandemia da fome”, enfatizou.

Segundo o sociólogo Luiz Antonio Nascimento, era necessário que os governos ouvissem a ciência e adotassem as medidas de isolamento necessárias, mas combinando com isso uma forte campanha de solidariedade para ajudar quem precisa. “Veja, a chamada classe média assalariada (que tem poder de pressão e forma opinião) conseguiu se proteger com trabalho remoto, rodízio de trabalho presencial e com massa salarial capaz de aguentar o impacto econômico. A chamada classe baixa trabalhadora, sem salário fixo, ficou completamente exposta e vulnerável e, em poucos dias, teve que sair às ruas em busca de trabalho e renda”, lembrou o sociólogo.