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25 de setembro de 2021
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Déborah Arruda – Da Cenarium

MANAUS (AM) – A discussão sobre a validação do uso de pronomes neutros, que incluem o gênero não binário, não é de hoje, principalmente nas redes sociais e entre o público LGBTQIA+. A falta de registro oficial da inclusão do gênero neutro na Língua Portuguesa resulta em uma grande resistência por parte de muitas pessoas, mas a mudança deve ser naturalizada com o passar dos anos. A análise é da professora de Língua Portuguesa, Rebeca Lira.

Para Rebeca, é comum que termos diferentes dos usuais causem estranheza aos falantes da língua, mas a expectativa é que estas palavras entrem no vocabulário e se tornem comuns, algo visto anteriormente com outros termos da Língua Portuguesa.

“O gênero neutro é uma mudança significativa na língua portuguesa e, como toda nova aquisição, ela é passível de descontentamento. Como a gente pode ver, nem todo mundo aceita o gênero neutro, mas temos que entender que é algo natural, as mudanças que ocorrem na língua não pedem licença, nem opinião, então o que resta é aceitação”, afirmou.

Nos últimos dias, dois casos ganharam repercussão nacional. O perfil do Museu da Língua Portuguesa no Twitter publicou um vídeo, na sexta-feira, 23, anunciando a reabertura do local e a nova logo. Porém, no texto da publicação o uso de “todes” não agradou a todos e gerou muitas críticas. Alguns comentários foram de que o uso do “todes” tem significado totalmente ideológico, outros alegaram pura ignorância dos responsáveis por gerir a página. 

Durante a cobertura das Olimpíadas, a narradora Natália Lara utilizou o pronome neutro “elu”, ao se referir a uma das jogadoras da seleção feminina de futebol. Apoiada por seu colega de narração, Conrado Santana, Natália explicou que é pessoa trans não binária, por isso o pronome neutro. Apesar de ser parabenizada por muitos, muitas respostas foram negativas nas redes sociais.

A professora Rebeca Lira explicou que a linguagem se renova com o tempo, por isso o pronome neutro deve ser aceito, conforme o uso recorrente. “Um exemplo disso é a forma de tratamento ‘você’. Ela é uma variação de ‘vosmecê’, que por sua vez variou de ‘vossa mercê’. Outro exemplo é o termo ‘vou embora’, que variou de ‘vou em boa hora’. Vai chegar um tempo que vamos olhar para trás e nos questionar como era nossa vida antes do pronome neutro”, disse.