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19 de junho de 2021
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – No Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão nesta sexta-feira, 4, um especialista que alerta sobre os sinais que as crianças emitem, quando estão sendo vítimas de agressão. Entre 2010 a agosto de 2020, mais de 103 mil crianças e adolescentes até 19 anos morreram vítimas de agressão no Brasil, segundo dados informados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS).

Para a psicóloga Michele Barbosa, os sinais começam visualmente por meio do comportamento. “Crianças são muito transparentes, então os primeiros sinais são as mudanças de comportamento, se ela é ativa, ela muda o comportamento, se a criança for mais tímida, ela fica mais introvertida ainda. Essas agressões alteram todo o humor da criança, ela pode ficar com vergonha, com medo excessivo, então é importante observar a mudança social também”, destacou.

Michele ressaltou ainda sobre a participação nas atividades da escola. “Criança fica mais isolada, ela nao quer participar, ela quer ficar mais exclusa da parte social. Mas é importante ressaltar também que as vítimas se manifestam da sua maneira, uns falam, outros não, por medo de ameaças, outros falam mesmo com medo e muita das vezes são desacreditados. É importante fazer uma acolhida com essas crianças, ela precisa se sentir acolhida e ouvidas”, salientou.

Traumas

A publicitária Tatiana Maia de 25 anos conta um relato de violência psicológica que a marcou quando criança. Ela detalha que o pai sempre demonstrou ter uma voz ativa em casa, fator que sempre lhe causou pavor e desconfiança sobre rompantes de uma possível violência física contra a mãe e ela própria.

“Eu tinha seis anos e sempre via meu pai como uma figura marcante na minha família, ele sempre me batia, até mesmo quando eu não tinha feito nada e sempre dizia que era para o meu bem. Ele também dizia que eu ainda ia agradecer por isso. Eu cresci e hoje vejo que existem muitos traumas que eu carrego comigo, meu pai se distanciou de mim e hoje ter uma figura masculina em casa me remete a coisas que eu não quero viver nunca mais”, detalhou.

Violência contra crianças (Imagem ilustrativa/Pixabay)

Dados

Dados do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apontam que em 2018, mais de 80% dos agressores foram pessoas próximas à vítima como pai e mãe e mais de 60% das agressões foram dentro da própria residência.

Embora os números relativos a 2020 ainda sejam preliminares, a análise da década revela que as agressões por meio de disparo de outra arma ou de arma não especificada lideram os óbitos entre crianças e jovens, totalizando 76,528 mil casos. Na faixa até 4 anos, esse tipo de agressão causou 386 mortes nos últimos dez anos. Em seguida, aparecem as agressões por meio de objeto cortante ou penetrante, com 10,066 mil mortes entre crianças e adolescentes de até 19 anos. 

Caso Henry Borel

O assassinato do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, ocorreu no Rio de Janeiro no dia 8 de março de 2021. A criança teve a vida tirada no apartamento onde morava com a mãe Monique Medeiros e o padrasto, o vereador Jairo Souza Santor Junior, também conhecido como Dr. Jairinho. Em depoimento, a babá de Henry afirmou a polícia que Dr. Jairinho ameaçava a criança. “Eu vou te pegar. Você está atrapalhando a vida da sua mãe”, relatou a babá.

O caso chamou a atenção das pessoas, pois gerou uma grande repercussão no Brasil, assim como o caso da Isabella Nardoni, que ocorreu 13 anos atrás. Segundo Monique, mãe de Henry, ela acordou com o barulho da TV e foi até o quarto de Henry, o qual o encontrou deitado no chão com as mãos e os pés gelados. Mas segundo laudo posterior, foram encontradas marcas de lesões no crânio de Henry, assim como ferimentos internos e hematomas nos membros superiores. Jairo e Monique foram presos temporariamente por atrapalhar as investigações e por ameaças as testemunhas.