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23 de junho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A pouca quantidade de material usado para reciclagem no Brasil, em meio às 80 milhões de toneladas de lixo produzidas todos os anos, é um sinal de alerta para especialistas neste Dia Internacional da Reciclagem. Com o País reciclando apenas 4% dos resíduos sólidos, é iminente a destinação inadequada desses materiais, o que afeta diretamente o meio ambiente e a preservação da Amazônia.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil perde R$ 14 bilhões por ano com a falta de reciclagem adequada do lixo. Elizany Monteiro, que é mestre em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia, diz que a reciclagem é uma forma de diminuir os impactos causados pelo consumo desenfreado, uma vez que os recursos são transformados em matérias-primas e reutilizados, para a produção de novos produtos.

“A ausência da reciclagem contribui para a contaminação do solo, água, podendo ser prejudicial à fauna e à flora e dependendo do tipo de contaminação pode gerar doenças perigosas à população, podendo atingir o sistema nervoso, trazendo lesões irreversíveis e em casos extremos levar à morte”, destaca Elizany.

A especialista enfatiza que o enfrentamento dessa problemática vai além do foco em coleta seletiva, pois se trata de uma questão estrutural do sistema imposto à sociedade, em que o consumismo é incentivado a todo momento, somado à obsolescência planejada e ao rápido descarte de materiais.

“Apesar de termos uma política pública específica para a questão dos resíduos sólidos no Brasil, o que representa um avanço, ainda temos um longo caminho a percorrer para termos uma gestão adequada dos nossos resíduos. Entre os desafios, para que isso ocorra, temos a ausência de Educação Ambiental, sobretudo de como a reciclagem deve ser feita, a oferta insuficiente de coleta seletiva, a ausência de adoção da logística reversa, ausência de profissionais qualificados para atuar no assunto”, frisou.

Descarte

Das 80 milhões de toneladas de lixo produzidas por ano, 12 milhões poderiam ser reutilizadas. Ao todo, ainda segundo dados da Abrelpe, seis milhões de toneladas de lixo são plásticos, 4,7 milhões são de papel ou papelão, um milhão é de vidro e 185 mil é de alumínio.

O montante passou de 25,3 milhões de toneladas por ano em 2010 para 29,4 milhões de toneladas por ano em 2019 (Reprodução/ Internet)

Em dezembro de 2020, a Abrelpe divulgou dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020 com números surpreendentes. Segundo a pesquisa, a quantidade de resíduos sólidos urbanos destinados inadequadamente no País cresceu 16% na última década, passando de 25,3 milhões de toneladas por ano, em 2010, para 29,4 milhões de toneladas por ano em 2019.

Quando se fala em destinação incorreta, o estudo mostra que, em 2010, 43,2% do total de resíduos eram descartados inadequadamente para lixões ou aterros controlados, enquanto que, em 2019, o percentual subiu para 59,5%.

Os dados mostram também que três regiões estão na lista dos que descartam irregularmente acima da média nacional (59,5%), que são elas: Nordeste, que tem o maior número de cidades com destinação irregular: 1.340 municípios (74,6%); o Norte, com 79% das cidades (357 municípios); e o Centro-Oeste, 65% dos municípios (305 cidades).

Coleta seletiva

No estudo da consultoria global Ipsos feita em 28 países e publicada em 2019, intitulado “Um Mundo Descartável — O Desafio das Embalagens e do Lixo Plástico”, em que foi perguntado sobre o funcionamento da coleta seletiva no Brasil, 54% dos entrevistados disseram que desconhece informações sobre os tipos de materiais plásticos que são reaproveitáveis.

A pesquisa, para Elizany, requer a adoção rápida de estratégias. “Isso significa que menos da metade das pessoas entendem o funcionamento da coleta seletiva em sua região, o que requer estratégias para transmitir este conhecimento para a população”, declara.