2 de março de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um levantamento feito pela consultoria IDados, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em janeiro de 2021, mostra que os meses, entre julho e setembro de 2019 e de 2020 que formam o 3º trimestre do ano, somam mais de 11 milhões de brasileiros que foram dispensados das vagas ocupadas no setor privado. De acordo com o levantamento, esse número é recorde.

Para o economista Origenes Martins, o período de crise é atípico em vários aspectos. “Um desses é a questão do emprego, onde a iniciativa privada tenta equilibrar seus custos tendo na folha de pagamento um dos pesos-pesados, que são os juros e encargos que existem no Brasil sobre essa folha. Enquanto no setor público, por outro lado, se vê obrigado a investir em programas e planos emergenciais e sociais por conta do momento”, disse.

O economista ressalta ainda que a empresa privada teve que se reinventar e se adaptar à realidade da pandemia. “Uma dessas realidades foi impor o home office como prática comum, reduzindo quadros e aumentando a produtividade. Já o governo não, eles não têm como utilizar o mesmo método para fazer vacinação ou aumentar o atendimento hospitalar por exemplo, com isso é preciso que contrate mais profissionais. Este é o grande gargalo do nosso modelo de orçamento contingenciado”, destacou.

Ainda segundo o levantamento, na contramão disso, durante o mesmo período, o setor público criou 145,4 mil novas cadeiras de trabalho. O Brasil atuava com 70,6 milhões de trabalhadores no setor privado até setembro de 2020, incluindo empregadores formais e informais, enquanto no setor público haviam apenas 11,8 milhões de empregadores.

“O ciclo de contratações do setor público acompanha muito mais o calendário das eleições do que a economia do país”, explica a pesquisadora do IDados, Mariana Leite, ao portal G1.

Recorde

A participação do setor público no mercado de trabalho se tornou um patamar recorde em relação ao emprego no setor privado. Segundo o levantamento, no primeiro trimestre de 2020, a proporção de funcionários públicos chegou a 14,8%, apresentando uma leve queda em setembro, caindo para 14,3%.

Amazonas

De acordo com dados da Pnad Covid-19, divulgado em setembro de 2020, no mínimo 75 mil amazonenses estiveram afastados do trabalho por conta das medidas de prevenção causadas pelo novo Coronavírus. Além disso, 44 mil deixaram de receber remuneração na semana da pesquisa. Os dados enfatizam também a parcela de trabalhadores em home office desceu de 5,5% para 5,2%.

A queda na força de trabalho entre os amazonenses foi de 1,43 milhão em julho e 1,39 milhão em agosto. No Amazonas, o número de pessoas que deixou de buscar emprego por conta da pandemia esteve em queda desde maio, quando chegou a 560 mil.

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