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24 de novembro de 2021
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Mencius Melo – da Revista Cenarium*

MANAUS – Durante muitas décadas, a pecuária foi apontada como a grande vilã do ecossistema amazônico, mas essa realidade passa a ser questionada, por um dos maiores defensores de um novo modelo para o agronegócio. Baseado em São Paulo, onde é colunista da Jovem Pan, José Luiz Tejon conversou com a REVISTA CENARIUM sobre um novo panorama a ser traçado para a região.

Segundo o especialista, existe um erro histórico que precisa ser corrigido. “É preciso entender que 2020 marca o fim do século XX, estamos por tanto entrando no século XXI, e continuamos cometendo um erro nos debates, nas discussões das ideias, que é o problema da generalização”, destacou.

Segundo ele, muitos ambientalistas não consideram a pecuária como vilã, pelo contrário, o crime e a ilegalidade é que são os grandes inimigos da floresta.

Tejon aponta ainda o arcabouço de conhecimentos adquiridos em instituições cientificas que lidam com o setor primário brasileiro, como grandes aliados de uma nova visão econômica. “Já temos ações efetivas de pecuária sustentável na Amazônia, temos conhecimento – que entendo ser a ciência que nos leva ao futuro – como as pesquisas da Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Agrossilvipastoril, por exemplo”, elencou.

Pecuária conservacionista

Segundo Luiz Tejon, a pecuária do século 21, é fruto do conhecimento. “É a utilização das práticas conservacionistas para produzir e preservar e ainda incluo um outro ‘P’, que é promover junto a imprensa, as boas práticas, porque se não promovermos o lado positivo das ações, o crime acaba virando um único sinônimo de uma região na Amazônia”, sentenciou.

O estudioso aponta o turismo como alternativa para se explorar uma Amazônia em pé. A cooperação é uma alternativa.

“Podemos faturar muito com a bioeconomia, basta dialogar com o agro turismo, com o turismo ecológico, com as práticas que levam a uma evolução econômica que podem dobrar o PIB dos Estados que compõe a Amazônia Brasileira”, resumiu.

Na análise de Tejon, não é possível ter um patrimônio natural dessa envergadura e não lucrar. “Só para se ter uma ideia, o faturamento de um parque como a Disney, significa duas vezes o faturamento do Estado do Amazonas”, exemplificou.

Desmatamento como entrave

Questionado sobre o arco do desmatamento, no sul do Amazonas, situação que inviabiliza a liberação da BR 319, José Luiz Tejon opinou.

“Tem que existir diálogo entre pecuaristas legais e ambientalistas que compreendem a necessidade de que temos que ter ali, uma exploração sustentável, isto significa que não haverá negócio com o planeta, se não houver preservação, se não houver sustentabilidade, os mercados não comprarão se não tivermos produção com preservação, com sustentação”, advertiu.

Para progredir com um mercado pecuário, Tejon acredita que novas lideranças devem surgir no ambiente produtivo. “É preciso que ambientalistas e produtores discutam o agronegócio como sinônimo de saúde”, apontou. “É preciso superar o passado”, finalizou.

Bagagem

José Luiz Tejon é doutor em Educação, mestre em Educação, Arte e História da Cultura pelo Mackenzie, jornalista e publicitário formado pela Cásper Líbero. É administrador com ênfase em marketing, com especializações na Pace University/EUA, Harvard/EUA e MIT/EUA. Em liderança tem especialização no INSEAD/França.

É comentarista de agronegócio na Rádio Jovem Pan, membro do Conselho de Gestão da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de S. Paulo. Conselheiro do Conselho Científico Agro Sustentável e do Conselho Superior do Agronegócio, membro da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio, e autor de vários livros sobre o tema.

Realidade

A sustentabilidade da pecuária bovina é um tema recorrente nas discussões sobre o agronegócio brasileiro, sobretudo no que diz respeito ao bioma Amazônia com sua imensa floresta tropical.

É consenso a necessidade da redução dos impactos socioambientais dessa atividade, ao passo que a produção tende a aumentar.

O aumento da produtividade, com a mesma ou menor área de pastagem vai ao encontro dos mercados nacional e internacional que demandam carne e couro produzidos de acordo com os conceitos de bom manejo ambiental, certificação de origem e responsabilidade socioambiental.

Nos últimos Censo Agropecuário do IBGE (1995 e 2006), verifica-se crescimento de 46% na produção de carne, com aumento de 50% na produtividade e redução de 3% nas áreas de pastagem.

Associando-se tais dados às ações em andamento, a tendência é de melhoria na sustentabilidade da pecuária.

Boas práticas

A Pecuária Legal resulta em sistemas de produção mais competitivos, mediante a consolidação do mercado doméstico e a busca de novos mercados que valorizem carne e couro de alta qualidade.

Trata-se de uma iniciativa dirigida à cadeia da pecuária, bem como à sociedade em geral, no sentido de esclarecer sobre a perda e a degradação de florestas tropicais, subtropicais e ecossistemas causadas por desmatamento ilegal, principalmente na Amazônia.

As Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte (BPA) da Embrapa, vêm se mostrando um bom instrumento, ajudando a cadeia da pecuária a ser mais produtiva e sustentável.

Assim como o GTPS – Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável e todos os seus membros que assumem o compromisso com o desenvolvimento sustentável da pecuária por meio da articulação de cadeia, da disseminação de informação e apoio à melhoria contínua, buscando equilíbrio entre os pilares econômico, social e ambiental.

A Pecuária Legal luta por uma causa importante, que é tornar a pecuária na Amazônia cada vez mais dentro de leis ambientais e padrões de qualidade, além de sustentável e admirada por todos.

Hoje em dia, ser um pecuarista legal é mais do que abraçar uma causa, é também ser reconhecido e valorizado por sua conduta ética e responsável por todos os agentes da pecuária, como também ter a admiração dos consumidores do Brasil e do mundo.

Mais informações podem ser obtidas por meio do www.pecuarialegal.com.br.