27 de janeiro de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Especialistas consultados pela REVISTA CENARIUM avaliaram neste sábado, 9, a possibilidade de recuperação dos 8.426 quilômetros quadrados desmatados em dezembro de 2020. O índice, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), bateu recorde e se tornou o segundo pior desde 2015, alcançando ainda um crescimento de 14% em relação a 2019.

Para o biólogo e coordenador do Programa de pós-graduação em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Fonseca, as técnicas de recuperação de áreas degradadas são um ramo das ciências agrárias ao qual é dedicado esforços humanos, materiais e ecossistêmicos.

“Fazemos isso para reestabelecer as condições anteriores aos impactos ambientais gerados em um ecossistema. Toda e qualquer área pode ser passível de recuperação. No entanto, quando colocamos os custos financeiros e ambientais na mesma equação, boa parte das pessoas optam em nada fazer”, destaca o biólogo.

Medidas

Fonseca ressalta que a omissão é um erro grotesco, pois as perdas da função de um ecossistema degradado podem ser freados ou ainda potencializados. “Sendo assim após qualquer degradação devemos sim empenhar medidas corretivas para “frear” o avanço, especialmente de erosão”, ressalta.

Segundo o biólogo, José Narbaes, a natureza se regenera com o tempo e por meio de diversas técnicas de plantio de sementes que já existem na natureza. “Outra medida é por meio do reflorestamento que deve ser realizado, preferencialmente, com espécies nativas da região”, reforçou Narbaes.

De acordo com o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, os números são reflexos das políticas de destruição ambiental do atual governo. “Bolsonaro tem dois anos de mandato e os dois piores anos de Deter ocorrem na gestão dele”, disse o secretário em entrevista ao portal G1.

Mais dados

O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, mostrou por meio de um alerta, qual sinais de alteração na cobertura florestal são mais perceptíveis. O sistema mostra ainda o processo de degradação florestal, como exploração de madeiras, mineração, entre outros crimes.

O biólogo Rogério Fonseca alerta que o Brasil também é um País pioneiro na proteção, conservação e manejo do solo. “Nossa agricultura é focada em produtividade de alto rendimento e precisão, mesmo a agricultura familiar ela sempre é realizada com as melhores práticas de medidas de desmatamento evitado”, destaca.

“Hoje o que os outros países do mundo poderiam fazer para evitar o desmatamento é deixar de comprar a madeira oriunda de condutas criminosas. E nossa Polícia Federal assim como alguns (diga-se de passagem poucos) órgãos de meio ambiente colaborarão diretamente neste rastreamento da madeira”, finaliza o profissional da Ufam.

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