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25 de junho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Ambientalistas e representantes da causa ambiental debateram de forma virtual neste sábado, 5, sobre a política ambiental brasileira e os desafios socioambientais. O encontro, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, foi organizado pela Rede Sustentabilidade e foi transmitido nas redes sociais.

O debate contou com a participação da ambientalista e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a indígena e deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR) e os ambientalistas Pedro Ivo e André Lima. A mediação do evento foi da porta-voz da Rede, Heloísa Helena, e Wesley Diógenes.

No encontro online, a deputada Joênia Wapichana criticou a atual conjuntura da política brasileira e afirmou que a sociedade vive um momento difícil, seja por conta do novo coronavírus ou por conta dos ataques aos direitos humanos. Para Joênia, os povos indígenas são os que mais sofreram com as ações contra a natureza e é preciso de resistência para salvar o meio ambiente.

“Esses dois últimos anos têm sido difíceis e, inclusive, mostrado mais do que nunca que a gente precisa resistir, não desistir e insistir”, afirmou. A parlamentar, que foi a primeira indígena eleita ao cargo de deputada federal no Brasil, nas eleições de 2018, é advogada e ativista do movimento indígena no País. No debate, Joênia afirmou que o desafio no cenário político é garantir a proteção dos guardiões da floresta: os povos originários.

“Esse é o nosso desafio, para não cair de novo em uma onda de violência como já se passou numa época que a tortura era presente. E hoje ainda ouvimos discursos que ameaçam acabar com a democracia. É preciso estabelecer mecanismos de proteção aos guardiões da floresta, do meio ambiente”, reforçou.

Pautas contra o meio

O ambientalista André Lima, advogado e ex-secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal, afirmou que o País enfrenta grandes desafios: o primeiro é resistir e perseverar, em meio às ameaças ao meio ambiente e as taxas de desmatamento que têm aumentado no Brasil.

No debate, Lima criticou o PL da Grilagem, que beneficia invasores de terras públicas e facilita que áreas desmatadas de modo ilegal se tornem propriedades de quem as utiliza. O ambientalista também chamou atenção para o aumento do desmatamento no País.

“Infelizmente, é um PL que vem para premiar quem ocupa terras públicas. Comete dois a três crimes ao mesmo tempo e recebe, como prêmio, um título de terra. Ocupa área pública, desmata, que são crimes e acaba recebendo o título com desconto de 90%, como prevê a lei”, frisou.

Pandemia

A porta-voz da Rede, Heloísa Helena, salientou que a pandemia da Covid-19 mostrou com clareza como a natureza é alvo de uma “exploração predatória, econômica e social”, fazendo com que a humanidade mais vulnerável socialmente seja a mais prejudicada.

“Neste momento onde a humanidade insiste na ousadia e na arrogância, ousadia de querer exercer a supremacia em relação a outras forças da natureza, mais uma vez estamos numa situação como essa, tendo à frente da Presidência da República um presidente e um vice-presidente que se comportam como soldados covardes e sem honra”, ponderou.

Falta de políticas

A ex-ministra fez um levantamento sobre o Governo Bolsonaro e criticou a falta de políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente. Para Marina Silva, não há o que comemorar com a Semana do Meio Ambiente, mas é preciso celebrar a resistência dos povos que defendem a floresta.

“O governo age em três frentes para desconstruir toda a legislação ambiental, a governança ambiental, a proteção ao meio ambiente e a promoção do movimento sustentável do Brasil”, destacou.

Para Marina, o Governo Bolsonaro substituiu a narrativa do uso sustentável pela ocupação predatória, empoderando os segmentos que fazem o discurso e a prática da ocupação predatória. “Uma vez empoderando isso, ele cria uma anomalia que coloca à margem os verdadeiros defensores do meio ambiente em todas as agendas de recursos hídricos, de desmatamento, de recursos naturais, em todas as agendas”, continuou.

Marina Silva também afirmou que o Governo Bolsonaro age com o objetivo de desconstruir a legislação ambiental ao tentar “passar a boiada sob a legislação e tentar erguer o arcabouço jurídico da destruição”. Para a ex-ministra, é necessário atualizar o atual Plano de Controle de Desmatamento para aumentar a proteção do meio ambiente.

“Aqueles que querem um País próspero, não há prosperidade sem proteção às bases naturais do nosso desenvolvimento, sem respeito aos povos indígenas, sem buscar novos caminhos para o desenvolvimento de uma bioeconomia, para o desenvolvimento de tecnologias que nos permitam criar um novo ciclo de prosperidade. O Brasil não é o lugar do problema, é o lugar da solução”, concluiu.