26 de fevereiro de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta sexta-feira, 12, que janeiro de 2021 teve uma redução de 70% no desmatamento, em relação ao mesmo período de 2020. No entanto, especialistas entrevistados pela REVISTA CENARIUM contestam os dados e dizem que o excesso de chuvas na Amazônia Legal podem explicar a queda repentina.

De acordo com o ambientalista Carlos Durigan, a mudança é muito recente e não pode ser considerada um avanço. “A gente tem ao longo dos últimos anos um aumento expressivo de desmatamento e queimadas nos períodos que não tão secos na região. Então, eu não vejo com muito otimismo esse dado de janeiro, se isso não se concretizar para os meses que virão”, disse.

Carlos afirma que tem uma queda que pode ser relacionada a outros fatores. “Desde dezembro e agora janeiro são períodos de chuvas intensas na região e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) publicou um relatório que mostra um aumento significativo da precipitação. Então, o excesso de chuva também afasta as atividades de desmatamento”, explicou.

Chuvas

A taxa de desmatamento na região amazônica cresceu 34% nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa, feita em agosto de 2020. (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Durigan reforçou que as chuvas explicam a queda substancial. “Sabemos que no ano passado houveram essas ações. E mesmo assim o desmatamento continuou subindo. Então para saber se é um resultado de políticas públicas é preciso de mais tempo e monitoramento para avaliar se é uma tendência ou apenas o fator relacionado ao excesso de chuva”, afirmou.

O CPRM divulgou um análise entre 12 de janeiro a 10 de fevereiro, que defende que as estação das chuvas em grande parte da região, apresentam grandes volumes de precipitação. “Algumas bacias da área de monitoramento apresentam volumes mais elevados observados nas bacias localizadas no oeste da região e os menores nos extremos norte e sul”, disse trecho do relatório sobre as chuvas na bacia Amazônica Ocidental.

Ainda é cedo

Para o biólogo e ambientalista, José Narbaes ainda é cedo para falar que o desmatamento é uma tendência. “A pandemia ajuda na comparação desses dados para o mês de fevereiro. Estamos no início do ano, ainda temos o verão amazônico, o período que mais cresce o desmatamento ilegal. Então, precisamos esperar mais um pouco para tirar uma conclusão”, declarou.

Alertas

De acordo com a divulgação dos dados pelo governo federal, nos últimos seis meses, os alertas de desmatamento reduziram em 21%. “Entre agosto de 2020 e janeiro de 2021 foram 988 km² de redução em alertas, de acordo com dados do Inpe”, informou o Ministério da Defesa.

Além disso, eles apresentam como “bom desempenho” a partir do trabalho feito e coordenado pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL) na região. Desde o inicio da Operação Verde Brasil 2, em maio de 2020, até janeiro de 2021 foram apreendidos 331 mil metros cúbicos de madeira, de acordo com dados divulgados pelo governo federal.

A pasta acrescentou que esses dados demonstram “o bom desempenho” do trabalho integrado coordenado pelo Conselho Nacional da Amazônia Legal na região, principalmente por meio da Operação Verde Brasil 2. 

Otimismo de Mourão

Em matéria divulgada pela REVISTA CENARIUM, ambientalistas rebateram também um discurso feito pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o qual ele citou que o Brasil não mede esforços quando o assunto é a redução do desmatamento na Amazônia e comemorou os resultados de 2020.

Desmatamento

Em 2020, a destruição da floresta amazônica esteve com um ritmo acelerado. De acordo com os dados de monitoramento divulgados em agosto de 2020, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a taxa de desmatamento na região amazônica cresceu 34% nos últimos 12 meses anteriores à pesquisa, em comparação ao ano de 2019.

O Inpe destacou que essa foi a segunda alta consecutiva nos primeiros anos de gestão do presidente Jair Bolsonaro. Em cálculo feito pelo Instituto, isso significa mais de 9,2 mil quilômetros quadrados, equivalente a seis vezes o tamanho do município de São Paulo.

Confira o boletim do CPRM

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