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15 de outubro de 2021
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Com informações do O Globo

BRASÍLIA – Governadores dos nove Estados da Amazônia Legal querem que o mundo desenvolvido pague pelos serviços ambientais prestados pela região, para que os povos ribeirinhos, quilombolas e indígenas se beneficiem economicamente dos recursos que serão destinados à proteção da floresta.

A mensagem será transmitida pelos mandatários em reunião, nesta quarta-feira, com os embaixadores dos Estados Unidos (Todd Chapman), Alemanha (Heiko Toms), Reino Unido (Peter Wilson) e  Noruega (Nils Gunneng). De olho na reunião de chefes de Estado convocada pelo presidente americano Joe Biden para o próximo dia 22, chamada de Cúpula do Clima, Maranhão, Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins querem aproveitar o momento para pedir recursos para a região.

Em outra frente, governadores de todos os Estados brasileiros articulam uma carta, a ser enviada a Biden, em que dizem estar preparados para colaborar com os EUA para a preservação do meio ambiente no Brasil.

Segundo o governador maranhense Flavio Dino, até hoje o governo federal não chamou os Estados para falar sobre o aquecimento global. Dino é porta-voz dos governos amazônicos.

“O governo federal nunca chamou os Estados para conversar sobre clima e meio ambiente. Queremos mostrar que o Brasil é muito mais amplo do que se pode imaginar”, disse ao Globo o porta-voz dos Estados amazônicos, Flávio Dino, governador do Maranhão.

Ele explicou que a visão que une os Estados é que o Brasil tem um papel imprescindível para a segurança climática. Por isso, a soberania nacional não deve ser usada como impeditivo para a proteção da Floresta Amazônica.

“Os povos precisam de oportunidades de trabalho e renda. A Amazônia deve contribuir para a redução dos gases de efeito estufa, mas as pessoas precisam comer e ter acesso à infraestrutura e à internet”, disse o governador.

As discussões com os diplomatas estrangeiros — que na última sexta-feira se reuniram com o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, mas o teor do encontro não foi divulgado — terão como base o Plano de Recuperação Verde (PRV).  Trata-se de um conjunto de medidas para alavancar o desenvolvimento econômico sustentável na região.

Para tirar as medidas do papel, os Estados têm de buscar a ampliação de recursos nacionais e estrangeiros voltados aos chamados negócios e iniciativas verdes, como turismo e bionegócios. Essas rodadas de captação de dinheiro passam pelos EUA, pela Europa, pelo setor privado brasileiro e pelo Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que pode ser feito tanto em dinheiro, como em prestação de melhorias sociais a comunidades rurais e urbanas e outros meios.

Em outra frente, o Fórum Nacional de Governadores articula o envio de uma carta, no início da próxima semana, ao governo americano. Pelo rascunho do documento, os Estados querem evitar que a temperatura global suba além de 1,5°C, até o fim do século e se dispõem a discutir a ampliação de terras protegidas não apenas na Amazônia, também em biomas de grande capacidade de captura de carbono, como o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pantanal.