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25 de julho de 2021
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Com informações do Folha de São Paulo

ESTADOS UNIDOS – O governo dos Estados Unidos e de outros países aliados de Washington acusaram nesta segunda, 19, a China de estar por trás de uma campanha global de ciberataques e espionagem digital, em um raro movimento amplo e coordenado contra Pequim.

Além dos EUA, as queixas também foram apresentadas pela Otan (a aliança militar pelos americanos), Reino Unido, Austrália, Japão, Nova Zelândia e Canadá. A Casa Branca recorreu a uma linguagem dura e pouco usual para atacar o rival asiático.

“O Ministério de Segurança do Estado da China tem fomentado um ecossistema de hackers criminosos que realizam tanto atividades patrocinadas pelo Estado quanto crimes digitais para seu próprio lucro”, disse Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA. “Isso é uma grande ameaça para nossa economia e segurança nacional”.

Os EUA apontaram Pequim como culpada por vários ataques, inclusive um contra servidores da Microsoft. Funcionários do governo americano identificaram mais de 50 técnicas que seriam usadas por chineses em ações do tipo.

As operações seriam usadas para roubar segredos industriais e informações confidenciais em áreas como aviação, defesa, educação, governo, biomedicina e produção naval. Os alvos estariam em países como África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Áustria, Camboja, EUA, Indonésia, Malásia, Noruega, Reino Unido e Suíça.

Ao mesmo tempo que o secretário de Estado criticava Pequim, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou que abriu um processo contra quatro cidadãos chineses —três funcionários de segurança e um hacker— por ações contra dezenas de empresas, universidades e setores do governo americano e e em outros países.

A embaixada chinesa em Washington não comentou o caso. Em ocasiões anteriores, autoridades da China disseram que o país é contra ataques digitais, e que também costuma ser vítima deles. Especialistas, no entanto, apontam que as acusações podem não dar em nada se não houver medidas concretas. “Foi um esforço bem-sucedido de amigos e aliados para atribuir as ações a Pequim, mas não é muito útil se isso não for seguido por ações concretas”, afirmou o analista Adam Segal, especialista em cibersegurança do Council on Foreign Relations.

Nos últimos anos, os EUA já tinham acusado a Rússia de estar por trás de ataques digitais a empresas e ao governo do país —Moscou sempre negou participação nas ações. Os ataques a servidores digitais estão cada vez mais frequentes e os Estados Unidos foram particularmente afetados nos últimos meses por operações que tinham como alvo governos e hospitais locais, além de grandes empresas. A lista inclui, por exemplo, ações contra a gigante da carne brasileira JBS e a operadora de oleodutos Colonial Pipeline.

A acusação contra a China foi feita um dia depois da divulgação, feita por um consórcio de imprensa, de que governos de ao menos dez países estariam usando um software de espionagem contra jornalistas, opositores e ativistas.