2 de março de 2021

Com informações Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – Um dos maiores intérpretes do Carnaval brasileiro, Neguinho da Beija-Flor que desfila há 40 anos no carnaval brasileiro, disse que este ano está fazendo de conta que é só “outro 7 a 1”.

Com a voz rouca e potente, em frente à parede cravada de prêmios no apartamento com vista para o mar em Copacabana, no Rio de Janeiro, ele falou sobre os dias que passou internado, os amigos que perdeu para a Covid-19 e a impossibilidade de desfilar “por cima de cadáveres”.

“O Carnaval é a minha vida, é a minha história. O desfile das escolas de samba é considerado o maior espetáculo a céu aberto do planeta, imagina você ser uma das peças disso. Então é muito triste, um luto, como se estivesse vivendo um velório. Mas estou consciente de que tem que ser dessa forma, a vida em primeiro lugar. O que me conforta é saber que em 2022 tem mais”, afirmou Neguinho em entrevista à Folha de S. Paulo.

Sobrevivendo de cachês simbólicos de lives, ele lamenta o desemprego no setor. Também comenta a criminalização do samba e do funk após a morte do neto Gabriel, 20, durante um confronto num baile no ano passado, e cita o racismo que persiste mesmo depois de 46 anos de carreira. Insiste, porém, que a vida não lhe dá motivos para silenciar o riso.

O cantor lembra que perdeu seis pessoas da bateria onde se apresenta todo ano. “Perdi o presidente da ala de compositores, perdi compositores. É muita gente, por isso eu estou de pleno acordo que não tenha Carnaval, porque seria desfilar por cima de cadáveres. Não tem nem como você estar ali cantando e pensando nas pessoas que estavam do seu lado esses anos todos e não estão mais. Vamos ter paciência e pensar em 2022, a vacina está aí, é a grande esperança para o mundo da música e do entretenimento”, completou.