4 de março de 2021

Marcela Leiro – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um estudo feito com pacientes do Rio Grande do Sul constatou que uma pessoa pode ser infectada ao mesmo tempo por diferentes linhagens do novo coronavírus, que causa a Covid-19. A pesquisa foi feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Ministério de Ciência e Tecnologia, pela Universidade Feevale e pela Rede Vírus.

A constatação foi feita ao analisar amostras de 92 pacientes do Rio Grande do Sul. Pelo menos duas pessoas registraram a chamada coinfecção, ou seja, a infecção simultânea por linhagens diferentes do novo coronavírus. Segundo os pesquisadores, a coinfecção com a variante E484K não havia sido descrita até o momento.

Ainda de acordo com os pesquisadores, a coinfecção é preocupante porque mistura genomas de diferentes linhagens, permitindo recombinações que resultam na evolução do vírus. Apesar disso, os dois pacientes tiveram apenas quadro leve e moderado e estão se recuperando sem necessidade de hospitalização.

Para o médico infectologista Nelson Barbosa da Silva, que atua na área há 22 anos, existe a possibilidade de os sintomas da coinfecção serem mais graves no paciente. “O paciente vai estar sendo submetido a dois agentes infecciosos e em pouco tempo essa pessoa pode evoluir para o óbito se não for atendida prontamente e se não forem tomadas as medidas terapêuticas precoces”, afirmou o médico que atua no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

No estudo também foi constatada a circulação de cinco linhagens diferentes do vírus no estado, entre eles uma nova, inicialmente denominada de VUI-NP13L. Neste momento, pesquisadores estão estudando essa nova linhagem, o que inclui o isolamento viral e a investigação sobre neutralização ou anticorpos presentes em pacientes infectados e recuperados.

Coinfecção no Amazonas

De acordo com o infectologista, no Amazonas já foram identificados casos de pacientes infectados com dois tipos de vírus diferentes. “Nós já tivemos pacientes que estavam com coronavírus e também com malária, com coronavírus e com dengue e até mesmo o coronavírus com H1N1, todas as infecções detectadas via sorologia”, afirmou Nelson Barbosa.

Para Barbosa, as medidas de prevenção a qualquer vírus continuam as mesmas. “Distanciamento e isolamento social, uso de máscaras, lavagem das mãos com água e sabão, ou álcool 70%, o isolamento da pessoa doente e diagnóstico precoce. Mesmo depois da chegada da vacina temos que ter esses cuidados, pois a previsão é que vamos ter casos até pelo menos dezembro de 2021”, relembrou.

Segundo nota divulgada pelo LNCC, o estudo gera preocupações devido à possibilidade de dispersão dessa linhagem para outros estados e países vizinhos.