Estudo do AM aponta que alta dose de Cloroquina pode levar a morte de pacientes

Da Revista Cenarium

MANAUS – Dados preliminares do Estudo CloroCovid-19, publicados em versão preprint no MedRxiv na última sexta-feira, 10, sugerem que o grupo de pacientes do estudo que usou a alta dosagem de cloroquina (CQ) apresentou maior número de desfechos graves de origem cardíaca, potencialmente fatais. Análises mais recentes confirmam que a alta dose de CQ para pacientes em estado grave pode levar à morte.

Inicialmente, o CloroCovid-19, estudo desenvolvido no Amazonas, tinha como objetivo avaliar a segurança e eficácia de duas dosagens diferentes de cloroquina em pacientes em estado grave da doença.

Participam do estudo indivíduos de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos, que não apresentem contraindicações à cloroquina.

Um dos desfechos de segurança é a piora cardíaca após o uso da medicação. A decisão de interromper o braço de maior dosagem foi tomada de acordo com a orientação do Comitê de Monitoramento de Dados e Segurança, que é externo e independente. A decisão fundamentou-se na observação de um excesso de desfechos letais precoces no grupo exposto à dose alta de cloroquina. O braço de menor dose continua ativo e todos os participantes incluídos, ainda em tratamento, no braço interrompido foram imediatamente alocados no braço de menor dose.

“Há enorme pressão para utilizar cloroquina no tratamento de Covid-19. Os resultados apresentados servem como um alerta, oferecendo evidências mais robustas para protocolos de tratamento de Covid-19”, explica Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, investigador principal do estudo, pesquisador da Fiocruz Amazônia e médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

De acordo com os dados publicados no MedRxiv, dos 81 participantes incluídos na pesquisa, um grupo recebeu dose alta de cloroquina (600mg – duas vezes ao dia por dez dias) e o outro, uma dose mais baixa (450 mg – duas vezes ao dia no primeiro dia e uma vez ao dia por mais quatro dias). Esses participantes, bem como os inseridos após essa avaliação, são acompanhados pela equipe de pesquisa por 28 dias após o início da medicação. Pretende-se, ainda, reavaliá-los após 120 dias, com o objetivo de verificar potenciais sequelas.

Até o momento da publicação (10/4), a taxa de letalidade geral por Covid-19 neste estudo foi de 13,6%, ou seja, dos 81 participantes, 11 foram a óbito. Destes, 7 pertenciam ao grupo de maior dose e 4 ao de menor dose. Dados mais atualizados da pesquisa, ainda em fase de revisão em revista científica internacional, confirmam as mesmas conclusões, de forma mais confiável.

O estudo é realizado no Hospital Pronto Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus/AM e conta com financiamento do Governo do Estado do Amazonas, Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos – Fiocruz), Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e fundos federais disponibilizados por senadores brasileiros.

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