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16 de setembro de 2021
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Luis Henrique Oliveira – Da Cenarium

MANAUS – Um recente estudo comprovou a existência de botos-cor-de-rosa (inia geoffrensis), tucuxis (sotalia fluviatilis) e botos-cinza (s. guianensis) em uma extensão de 4.224 quilômetros de rios em uma área do Estado do Amapá onde antes não se tinha registro desse tipo de animal. O estudo foi desenvolvido pelo WWF-Brasil, Instituto Mamirauá e pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa).

De acordo com o ambientalista José Coutinho, vários são os fatores que podem acabar interferindo no percurso migratório de uma espécie de animal aquático. “Isso acontece principalmente em espécies desse porte. Não é um dado científico, mas sim a questão da alimentação escassa, e essa migração pode ter ocorrido ainda por fuga de predadores de forma natural ou antrópica ou ter se perdido no período das enchentes em nossos rios. Acredito que esses casos estejam relacionados com o fluxo natural. Mas é uma situação bem curiosa essa situação”, explicou à CENARIUM.

A pesquisa foi desenvolvida após coletas de dados dos últimos 12 anos, com visitas de campo, pesquisas bibliográficas e captação de depoimentos de ribeirinhos. O ambientalista explica ainda que as mudanças podem ser positivas. “Quando a interferência é de cunho reprodutivo, para salvar a espécie, é positivo, caso contrário, quando é predatória, as consequências ambientais são enormes”, completou Coutinho.

Para a pesquisadora e líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Miriam Marmontel, o conhecimento dos povos tradicionais é um dos pontos principais que foram utilizados durante a pesquisa. “Os relatos apontados por eles quase sempre se confirmam no campo. Tudo é novo, pois não havia nada publicado sobre estes animais naquela região; estamos escrevendo a história dos mamíferos aquáticos do Amapá agora”, explicou.

Ameaça

Os botos são um grupo particularmente vulnerável de cetáceos de água doce, distribuídos em apenas 14 países na Ásia e na América do Sul. Todas as espécies estão ameaçadas pela modificação de seus habitats.

No passado, os botos podiam nadar sem obstáculos pelas bacias do Orinoco e Amazonas. No entanto, a operação de mais de 140 usinas hidrelétricas e a previsão de outras 160 no bioma Amazônia mudaram esse cenário e estão gerando consequências preocupantes para a conservação desses cetáceos.