6 de março de 2021

Com informações da assessoria

MANAUS – Artigos publicados ao longo de 2020 sugerem que as sequelas do novo coronavírus não afetam apenas os sistemas respiratório e neurológico. Denominadas multissistêmicas, elas podem infectar os testículos, o que implica em um desequilíbrio da testosterona, afetando a saúde sexual masculina. “Mais um motivo para redobrarmos os cuidados recomendados por autoridades de saúde, como o uso da máscara e a manutenção do distanciamento social, uma vez que a doença também tem levado milhares de pessoas à morte e causado prejuízos a quem se recupera em longo prazo”, frisou o cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo.

A informação relacionada à saúde sexual masculina consta em um artigo publicado em maio, por pesquisadores de Wuhan, na China, primeiro epicentro da Covid-19. O resultado prévio é denominado Clinical Characteristics and Results of Semen Tests Among Men With Coronavirus Disease 2019″.

Ao afetar os testículos, os quais fazem parte do sistema reprodutor masculino, pode desencadear o hipogonadismo, condição que leva à impotência e à infertilidade. O estudo também mostra que o coronavírus afeta o epidídimo (ducto que coleta e armazena os espermatozoides). Mais um agravante negativo associado ao Sars-CoV-2.

“O hipogonadismo é uma alteração caracterizada pela não produção de quantidades adequadas de hormônios sexuais, como a testosterona, no caso dos homens, e o estrogênio, no das mulheres. No caso do sexo masculino, pode haver, ainda, a não produção de espermatozoides adequadamente, o que resulta, em parte dos casos, em infertilidade”, explicou o cirurgião, que também é doutor em saúde coletiva. Apesar disso, ainda não há evidências concretas de que a Covid-19 possa causar infertilidade. A possibilidade continua em estudo.

Em dezembro do ano passado, a médica norte-americana Dena Grayson, especialista na área de doenças infectocontagiosas, alertou para a possibilidade de disfunção erétil associada à Covid-19. A informação é derivada de inúmeros relatos de pessoas acometidas pela doença, que apresentaram alteração secundária, o que demonstra que as sequelas podem ocorrer em longo prazo.

“Nesse caso, é necessário que haja um acompanhamento médico para avaliar qual fator associado à Covid levou ao quadro de impotência e, aí, analisar a melhor terapia a ser aplicada, considerando, especialmente, a condição clínica do paciente”, frisou Giuseppe Figliuolo. A impotência pós-Covid tem sido relatada, em vários casos, por pacientes que apresentaram a forma grave da doença.

Outro fator que pode ser desencadeado com a Covid-19 é a presença de superinflamação, ocasionando a liberação em excesso das citocinas, substâncias que causam lesões nas paredes dos vasos sanguíneos, levando ao estreitamento dessas estruturas.

Seria, segundo Figliuolo, outro fator associado à dificuldade na ereção, prejudicando o desempenho sexual. “E paralelo a isso, há ainda o fator psicológico, que também acaba afetado em uma fase em que o indivíduo busca a reabilitação e o retorno às atividades do dia a dia”, alertou Figliuolo. Um acompanhamento multidisciplinar é o ideal para quem apresentar quadros multissistêmicos, de acordo com o médico.