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17 de maio de 2021

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Com informações do O Globo

BRASÍLIA – O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta já depõe, nesta terça-feira, 4, na CPI da Pandemia no Senado Federal.  O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), foi o primeiro a fazer perguntas. Entre as respostas dadas a Renan até o momento, o ex-ministro foi mais enfático quando perguntado se, enquanto estava no cargo, alguma empresa ou entidade apresentou perspectivas de vacinas. Mandetta disse que não, mas que se houvesse vacinas à época iria atrás delas como um prato de comida.

“Naquele momento tínhamos uma lista de iniciativas. Nós torcíamos, nós sabíamos que, quando há vírus, a humanidade enfrenta com vacina, desde a varíola. Mas estavam ou na concepção de fórmula, ou testando em laboratório com ratos”, disse o ex-ministro. Ele afirmou ainda que, se houvesse vacinas, teria ido atrás. “Teria ido atrás delas como atrás de um prato de comida”, afirmou.

Renan também questionou se a ordem do presidente Jair Bolsonaro para o laboratório do Exército aumentar a produção de cloroquina tinha partido do Ministério da Saúde, Mandetta disse que não.

“A única coisa que o Ministério da Saúde fez, após consulta ao Conselho Federal de Medicina e conselheiros do ministério, era para o uso compassivo, quando não há outro recurso terapêutico. É um medicamento que tem uma série de reações adversas, uma série de cuidados que tem que ser vistos”, disse Mandetta.

Segundo ele, havia quantidade suficiente do remédio no Brasil. “A cloroquina nos é produzida regularmente para o uso que convém, para malária, lúpus, pela Fiocruz, e tínhamos a quantidade necessária para isso”, disse.

Cloroquina para Covid-19

Mandetta disse que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para Covid-19. Segundo Mandetta, o próprio diretor-geral da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discordou dessa medida.

De acordo com Mandetta, o ministro “Jorge Ramos” minimizou a questão, dizendo que era apenas uma sugestão. Na época, o Planalto não tinha um ministro com esse nome, mas um chamado Jorge Oliveira, na Secretaria-Geral, e outro Luiz Eduardo Ramos, na Secretaria de Governo.

“Mas é uma sugestão de alguém. Alguém se deu ao trabalho de colocar aquilo em formato de decreto”, disse Mandetta. Henrique Mandetta também criticou o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, fllho do presidente. “Vi várias reuniões de ministros em que o filho do presidente, que é vereador, sentava atrás tomando notas da reunião”, disse Mandetta.

Logo no início, Renan questionou se Mandetta vê como adequada a orientação do Ministério da Saúde para que as pessoas só procurassem o sistema de saúde com sintomas graves. Mandetta afirmou que o intuito era apenas evitar aglomerações por suspeitas de viroses em hospitais, antes de haver transmissão comunitária no País, o que só foi registrado no final de março de 2020.