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19 de abril de 2021

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Com informações Veja

SÃO PAULO – O chef-celebridade Gordon Ramsay, conhecido mundialmente pelo famoso programa de TV “Hell’s Kitchen”,  inaugurou, em novembro de 2020, uma hamburgueria com ingredientes da alta gastronomia e preços astronômicos. O hambúrguer mais caro, de carne wagyu e queijo pecorino trufado, custa 80 libras (630 reais). Quem achar caro demais pode optar pelo hambúrguer de lagosta e camarão, que sai pela bagatela 42 libras (R$ 310 ). Aos críticos de preços de 100 a 200 vezes maior do que o de um Big Mac, Ramsay responde: “acreditem em mim, será uma experiência como nenhuma outra”.

O sanduíche de Las Vegas: torre de ingredientes caros (Reprodução/ Divulgação)

O principal público da categoria são pessoas de 16 a 34 anos da classe A, dispostas a pagar o que for por um mero sanduíche, desde que seja saboroso, saudável e de qualidade. “Os dissabores dos últimos meses recolocaram a boa comida no papel de um prazer que as pessoas se permitem”, afirma o chef Thiago Koch, dono da rede brasileira Bullguer.

O hambúrguer e demais sanduíches de Ramsay, e outros na mesma linha, usam e abusam do luxo nos ingredientes. As carnes, wagyu ou kobe, são provenientes de raças bovinas japonesas célebres pela extrema maciez e sabor inigualável. No Brasil, o quilo da wagyu custa R$ 500 — evidentemente, é pouquíssimo usada no blend de hambúrgueres. O intenso queijo pecorino trufado, inflacionado pelo raro cogumelo, chega facilmente a R$ 5 mil  o quilo.

“Degustar um prato desses é uma experiência, algo que se faz uma vez na vida e vira história para contar”, diz Renata Cruz, chef formada pela renomada École Lenôtre, em Paris. O hambúrguer nem é a primeira polêmica de Ramsay envolvendo comidas, digamos, “simplesinhas”: no restaurante Savoy Grill, também em Londres, há um menu com um café da manhã composto de dois ovos, quatro fatias de bacon, uma rodela de cogumelo, uma fatia de tomate e uma linguicinha por 24 libras (R$ 200 ).

Ingredientes o 777 Burger, vendido em um restaurante do cassino Bally’s, em Las Vegas (Reprodução/ Internet)

Faz parte da brigada do hambúrguer carésimo o 777 Burger, vendido em um restaurante do cassino Bally’s, em Las Vegas, a cidade dos superlativos, por exatos US$ 777, ou R$ 4,4 mil (veja os ingredientes acima). Como nem só de hambúrguer vive a fast food gourmet, no Industry Kitchen, em Nova York, a pizza 24K — com queijo inglês Stilton, foie gras, caviar, trufas e folhas de ouro — custa 2,7dólares. No Tokyo Dog, um food truck em Seattle, um cachorro-quente de 169 dólares leva salsicha alemã, queijo defumado, cebola grelhada, cogumelo maitake, carne wagyu picadinha, foie gras, raspas de trufas pretas e caviar.

As asinhas de frango da rede The Ainsworth, de Nova York, são fritas em ouro líquido comestível, custam 4,50 dólares a unidade e são servidas em porções de dez, vinte ou cinquenta. “O exibicionismo gastronômico virou ferramenta de marketing”, diz Ailin Aleixo, do blog Vai Se Food, lembrando que a sensação de exclusividade de quem consome uma fast food de luxo é mais instantânea do que a de quem compra um smartphone de última geração.