30 de outubro de 2020

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Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – As categorias de artistas e professores têm apresentado pautas conflitantes desde a última quinta-feira, 24, quando o governo do Amazonas anunciou medidas mais restritivas para o funcionamento de bares, balneários e flutuantes e a data de retorno às aulas do Ensino Fundamental. Enquanto o ramo artístico protesta pelo direito de exercer a profissão das atividades de lazer, os professores deflagram greve contra o retorno das aulas presenciais no próximo dia 30, quarta-feira.

As aulas presenciais do ensino fundamental na rede estadual de ensino em Manaus serão retomadas no dia 30 deste mês de setembro de forma híbrida ao passo que casas de shows, balneários, flutuantes e estabelecimentos que promovem eventos serão novamente fechados. “Eu não vou deixar a balada aberta e a escola fechada”, disse o governador Wilson Lima (PSC), ao anunciar as novas medidas de restrição na última quinta-feira, 24. As medidas valem por 30 dias.

A REVISTA CENARIUM conversou com dois especialistas para analisar o panorama das divergentes reinvindicações sobre a fiscalização que reduziu o funcionamento de casas noturnas por 30 dias para evitar o aumento de casos de Covid-19. A investigação epidemiológica mostra que são esses os espaços que têm ajudado a aumentar o número de casos.

Segundo o sociólogo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Antônio Nascimento, o governo do Estado tem um dilema. “O governo demorou a tomar decisões importantes no início da pandemia e não prestigiou de maneira devida os agentes de saúde, bem como outros trabalhadores. Vale ressaltar que os professores nunca deixaram de trabalhar durante a pandemia, todos de suas residências e com um destaque: fazendo uso de recursos próprios, mesmo sem dominar técnicas de ensino remoto”, defende.

Nascimento também afirma que existe o risco de contaminação real de voltar ao trabalho presencial e se contaminar, além da contaminação entre as crianças e os familiares. O último recurso que eles possuem é deflagrar um processo grevista, que é a forma mais contundente que um trabalhador pode fazer para ser ouvido. É óbvio que os trabalhadores dos bares e artistas têm problemas graves. Não é à toa que foram liberados auxílios emergenciais à categoria”, ponderou o sociólogo.

Luiz também afirma que é necessário expandir políticas de proteção financeira à classe artística. “No entanto, o que foi constatado é que, com a reabertura do comércio e das atividades de lazer e entretenimento, os casos voltaram a subir. Então, a decisão de fechar novamente esses estabelecimentos foi acertada, mas é preciso que o governo garanta o acesso a recursos de apoio financeiro durante a crise”, conclui Nascimento.

Momento delicado

Para o cientista político, Carlos Santiago, o momento é delicado e todos estão reivindicando a sobrevivência de vida e econômica, abertura de espaço para continuar proporcionando renda e emprego, bem como, a classe docente, preocupada com a saúde dos estudantes e de seus pares. Ele destaca que também é válido a iniciativa do governo em tentar movimentar e dar continuidade a gestão pública, a vida e seu cotidiano.

“Todas essas movimentações são legítimas, mas precisa acima de tudo de diálogo, conversa e organização. Quem proferir a última palavra pelas categorias profissionais deve ter paciência, nesse momento devemos ouvir e caminhar juntos com a ciência, mais do que nunca, pois a ciência está hoje com a palavra final”, comentou.

O cientista política ressalta que nestas circunstâncias que o país vivenciando, o diálogo é fundamental. “Quando não há união, resulta em grupos tomando decisões para o seu lado e acaba em que todos perdem, porque o viver de uma cidade, o viver coletivamente significa que não existem decisões unilaterais. É um momento para não pensarmos em disputa e sim pensar pela vida”, completou Carlos Santiago.

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