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23 de abril de 2021

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Com informações da Folha de S. Paulo

RIO DE JANEIRO – A paralisação na distribuição de vacinas contra a Covid-19 na semana passada causou um impacto significativo na imunização do país. A pausa provocou um atraso na vacinação de quase 400 mil pessoas, incluindo primeira e segunda doses.

O Brasil vinha aplicando em média 1,3 milhão de unidades por semana no primeiro mês da campanha. Mas entre os dias 22 e 28 de fevereiro, quando a fonte secou, esse número caiu para cerca de 900 mil, mostram dados do governo federal que são atualizados diariamente. É o equivalente a uma média de 50 mil pessoas a menos por dia.

Várias cidades tiveram que alterar seus calendários quando viram seus estoques se esgotarem sem novas remessas do Ministério da Saúde à vista. As primeiras capitais a passarem pela escassez foram Campo Grande, Teresina, Cuiabá, Salvador e Rio de Janeiro.

Os cariocas chegaram a ficar oito dias com a vacinação suspensa. Se antes o município previa englobar os idosos acima de 60 anos até o fim de março, agora subiu a idade limite para 67 anos no mesmo prazo, isso se os lotes prometidos realmente chegarem.

No Nordeste, Salvador e Fortaleza tiveram que fechar temporariamente alguns postos de imunização, e João Pessoa decidiu suspender a aplicação nos trabalhadores da saúde para priorizar os idosos com mais de 85 anos.

A cada fase da campanha, os grupos alvo a serem vacinados só crescem, demandando mais e mais doses. A projeção da população brasileira acima de 80 anos, por exemplo, é de 2 milhões de pessoas, enquanto a faixa dos 70 a 79 anos abrange 9 milhões de pessoas.

A seca da semana passada aconteceu porque os dois laboratórios que estão abastecendo o país ficaram semanas sem entregar remessas, e o governo ainda não tem outras fontes de imunizantes, apesar de estar negociando com outras iniciativas.

O Instituto Butantan repassou um lote de 1,1 milhão de doses no dia 5 de fevereiro e depois só voltou a enviar remessas no dia 23, a data que todos os prefeitos e governadores estavam ansiosamente aguardando. O lote dos últimos dias somou 4,6 milhões de doses.

Naquela mesma terça-feira, a Fiocruz importou mais 2 milhões de doses prontas do Instituto Serum, um dos centros da farmacêutica AstraZeneca na Índia, para compensar o atraso na sua produção própria, que só deve começar a dar frutos daqui a duas semanas.

No total, a fundação pretende fornecer 100 milhões de doses envasadas com o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da China no primeiro semestre e mais 110 milhões com a matéria-prima inteiramente nacional, mas essa segunda etapa também já está ameaçada por atrasos.

“Produzir aqui a vacina é todo um processo. Tem que validar os lotes de IFA, validar o registro de local de fabricação do IFA […] Sabemos que vamos ter percalços em um processo que se fazia em anos”, disse Maurício Zuma, presidente da fábrica de Bio-Manguinhos, à agência Reuters recentemente.