25 de fevereiro de 2021

Paula Litaiff e Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – A falta de um plano nacional de enfrentamento à pandemia, que agora deveria estar distribuindo vacina para toda população, agrava novamente a crise sanitária, com forte impacto na economia. No Amazonas, o elevado número de infectados pelo novo coronavírus já começa a paralisar fábricas do Polo Industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Nesta sexta-feira, 22, por exemplo, a Moto Honda da Amazônia, responsável pela maior parte das motocicletas produzidas no País, comunicou que está suspendendo a produção até pelo menos o dia 4 de fevereiro. Faltam insumos, além de parte dos próprios funcionários estar com a Covid-19.

Para o Governo do Amazonas, a paralisação das atividades da multinacional atinge considerável parcela da arrecadação do ICMS. Além de ser uma das maiores fábricas do Polo Industrial de Manaus, a Moto Honda movimenta fornecedoras de peças para as linhas de produção. A paralisação gera um movimento em cadeia, agravando a perda de ICMS.

A economia do Amazonas gira em torno das fábricas instaladas na capital em um parque fabril que é o maior da América Latina. Os demais setores econômicos, por outro lado, dependem da riqueza movimentada pela indústria. Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado, só a indústria responde por cerca de 29,5% do Produto Interno Bruto (PIB) amazonense.

Nos Estados Unidos e em países da Europa, que começaram a vacinação ainda em dezembro, a ordem é acelerar a imunização da população para que as atividades sociais e econômicas sejam retomadas o quanto antes. Já no Brasil, ao contrário disso, a vacinação engatinha porque o Governo Federal insiste em diminuir a pandemia, mesmo que já tenha feito mais de 200 mil vítimas fatais.

Ainda que incipiente, a vacinação brasileira só pode iniciar nesta semana porque o Governo de São Paulo fechou contrato com o laboratório chinês durante o primeiro pico da pandemia, em junho do ano passado, quando as pesquisas para a vacina começaram. O presidente Bolsonaro ainda hoje tenta desqualificar a vacina, em uma postura que prioriza a rixa política com o governador paulista, João Dória, e não a saúde da população e a retomada da economia brasileira.