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27 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – No terceiro webinar promovido pelo Centro Preparatório Jurídico (CPJUR), nessa quinta-feira, 13, para debater com formadores de opinião e a sociedade civil organizada, o ex-prefeito de Manaus e ex-senador do Amazonas, Arthur Virgílio Neto, disse que faltou um líder nacional que promovesse incentivo à pesquisa na pandemia e que, por conta disso, a vacinação não avança. O desabafo ocorreu durante um encontro com a participação de cientistas, que abordou a importância da pesquisa brasileira no combate à Covid-19.

“Faltou, para a gente, um comando central que acertasse com os municípios os procedimentos a serem tomados. Faltou uma política nacional. Eu, por exemplo, fiz um hospital de campanha aqui, não foi todo mundo que fez. Por extinto e por ler vocês [cientistas], tinha a certeza que tinha uma segunda onda, como tenho certeza que vem uma terceira onda da Covid-19. E, certamente, a começar por Manaus e pelo Amazonas. Lamentavelmente, não temos uma liderança nacional e a vacina não avança. Estamos à míngua”, desabafou Arthur.

O evento, que ocorreu no Centro Universitário Fametro, na zona Centro Sul de Manaus, com transmissão no YouTube, é uma iniciativa do Núcleo de Educação Política e Renovação (NEPR), onde o ex-prefeito é coordenador. O encontro teve a mediação do diretor administrativo do Grupo Fametro, Felipe Venturini, e contou com os convidados Marcus Lacerda, médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswald Cruz (Fiocruz Amazônia) e o psicólogo do SUS e PhD em Saúde Pública, Eduardo Honorato.

Debate ocorreu na Fametro e foi transmitido pelo YouTube (Arleson Sicsú/Revista Cenarium)

No debate, o ex-prefeito criticou cortes do governo federal que incentivassem a ciência e a pesquisa e declarou, sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que há a existência de uma luta contra o empirismo e o negacionismo. “Essa é uma luta, basicamente, da ciência contra o empirismo, da ciência contra o negacionismo, da ciência contra a ideia que alguns fazem de que, enfim, era uma ‘gripezinha’, de crucificar a China, de que ela era a culpada de tudo”, declarou.

Ainda no evento, Arthur Neto chamou a atenção ainda para instalação de empresas na Amazônia e configurou como contraditórios os números da pandemia no Amazonas, na qual a grande maioria de mortes e casos de Covid-19 foram registrados em Manaus. “A nossa biodiversidade nos garantirá muito mais prosperidade e dinheiro se nós a mantivermos em pé. Estamos quase que numa situação limite, vendo números assim, essas contradições, não tenho como achar bonito”, continuou.

Se ouvissem os cientistas…

O debate durou cerca de 1 hora e 40 minutos com assuntos pautados, principalmente, da vivência dos participantes ao longo de um ano de pandemia. No encontro, o infectologista Marcus Lacerda também chamou a atenção para a falta de incentivo às pesquisas e à ciência. Para o pesquisador, se os Estados tivessem ouvido melhor os cientistas, os impactos da Covid-19 seriam menores.

Marcus Lacerda disse que se os Estados ouvissem os cientistas, os impactos da Covid-19 seriam menores (Arleson Sicsú/Revista Cenarium)

“Os Estados, que levaram a ciência a sério e que ouviram seus cientistas, tiveram sim um melhor desempenho, perdendo menos vidas. A perda econômica é global, vai da Alemanha à China ao interior do Rio Grande do Sul, mas a perda de vida teve uma diferença substancial”, lamentou.

O cientista declarou ainda que o grande influencer de um País é o governante máximo e que, quando esse líder é contrário a algo, o impacto é estendido para toda a região. “Quando eu ouço um presidente falando que a máscara não funciona, eu imagino que ele tenha uma informação privilegiada que um cidadão comum não tem. Então, um governante tem sim um cargo que acaba sendo o grande influencer do seu País, e eu acho que o impacto que tivemos desse influencer foi muito negativo”, frisou Lacerda.

Pesquisa

O psicólogo do Sistema Único em Saúde (SUS), Eduardo Honorato, levou ao tema o impacto mental da Covid-19. Para o PhD em Saúde Pública, toda população sofreu implicações. O especialista também declarou que fazer ciência no Brasil é um ato de resistência e que as pessoas devem continuar resistindo.

Para o psicólogo Eduardo Honorato, fazer ciência no Brasil é um ato de resistência (Arleson Sicsú/Revista Cenarium)

“Nos dias de hoje, fazer pesquisa e ser cientista é um grande ato de resistência, porque estamos falando de um País que não tem investimento em pesquisa, em que os cortes são feitos anualmente, cada vez há menos bolsas. Precisamos acabar com a glamourização do pesquisador, onde você precisa sofrer para fazer pesquisa”, enfatizou.

Educação política

O CPJUR é uma instituição privada e tem como foco a educação e o segmento de cursos e gestão, possuindo excelência na atuação do Direito Público. Em março deste ano, a rede de ensino inaugurou o Núcleo de Educação Política e Renovação (NEPR), com Arthur Virgílio Neto na coordenação, para expandir o projeto de educação política pelo Brasil. Para ampliar o incentivo à educação política, as organizações vêm promovendo debates sobre temas atuais, como o incentivo à pesquisa na pandemia.

Felipe Venturine foi o mediador do encontro (Arleson Sicsú/Revista Cenarium)

“O tema em voga faz parte de um processo de educação política, que é o ponto do núcleo. Quando a gente debate a pesquisa, no sentido da descoberta de vacinas, a busca por um processo curativo, preventivo do que assola a humanidade, como é o caso da Covid-19, ela se faz importante. Bem como, também, nós convidamos, além do professor Marcus Lacerda, que é um exponencial pesquisador da Fiocruz, o professor que é PhD em Saúde Mental, doutor Eduardo Honorato, visto que ele desenvolve um trabalho dentro do aspecto da saúde mental, lidando com o psiquê do ser humano e com os aspectos que a Covid-19 pode trazer”, concluiu Felipe Venturine.